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Trânsito em julgado: saiba onde ficarão Bolsonaro e outros condenados pela trama golpista

Bolsonaro permanece na sede da PF em Brasília por ordem do STF; Moraes determina início do cumprimento de pena para militares e aliados
Bolsonaro descumpriu medida judicial ao manter contato com Braga Netto e advogado ligado à Rumble (Foto: Clauber Cleber Caetano/PR)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira, 25, que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permaneça na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, onde está preso desde o último sábado, 22.

A decisão marca o início da execução da pena pela tentativa de golpe de Estado, conforme decidido pela Corte, e mantém o ex-presidente afastado da Penitenciária da Papuda por ora.

No despacho, Moraes também ordenou a realização de exames médicos oficiais com o objetivo de documentar o estado clínico do ex-presidente e garantir as condições adequadas ao cumprimento da pena. A cautela com a imagem pública do réu e com possíveis tensões sociais orienta a conduta do STF, que evita transferências abruptas para unidades prisionais convencionais.

Discrição e execução gradual da pena

Desde a prisão preventiva de Bolsonaro, o STF e a Polícia Federal vêm adotando uma estratégia de discrição operacional, evitando a difusão de imagens e promovendo alterações pontuais na estrutura da cela, como a troca de película na porta para inibir registros fotográficos. A lógica institucional é a de evitar rupturas ou episódios de comoção diante do ineditismo da situação: a prisão de um ex-presidente da República condenado em regime fechado.

Na semana anterior, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, havia solicitado a Moraes que os militares condenados não fossem algemados, medida reforçada pelo ministro da Defesa, José Múcio. O pedido foi acatado.

Com o fim do prazo para recursos às 23h59 de segunda-feira, 24, Moraes certificou o trânsito em julgado das condenações e deu início ao cumprimento definitivo das penas impostas aos envolvidos. Além de Jair Bolsonaro, confira abaixo onde ficarão os demais condenados:

CondenadosPenaLocal onde cumprirá pena
Jair Messias Bolsonaro (Ex-Presidente da República)27 anos e 3 meses de prisãoSuperintendência da Polícia Federal
Anderson Torres (Min. da Justiça)24 anos de prisãoComplexo Penitenciário da Papuda
Augusto Heleno (GSI)21 anos de prisãoPresídio Militar (RJ)
Paulo Sérgio Nogueira (Min. Defesa)19 anos de prisãoPresídio Militar (Planalto)
Walter Braga Netto (Casa Civil e Min. Defesa)26 anos de prisãoPresídio Militar (Planalto)
Almir Garnier (Almirante)24 anos de prisãoPresídio Militar (Planalto)

Militares começam a cumprir penas

Os ex-ministros Augusto Heleno (GSI), Paulo Sérgio Nogueira (Defesa), Walter Braga Netto (Casa Civil e Defesa) e o ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, já estão sob custódia em instalações militares. As detenções foram executadas de forma coordenada entre o Exército e a Polícia Federal. Heleno foi condenado a 21 anos, Nogueira a 19 anos, Braga Netto a 26 anos, e Garnier a 24 anos — todos em regime fechado.

Defesa de Augusto Heleno (Foto: Reprodução / TV Justiça)
Defesa de Augusto Heleno (Foto: Reprodução / TV Justiça)

O general Braga Netto permanecerá no quartel do Rio de Janeiro, onde já estava detido desde a ordem de prisão anterior. Os demais ficarão no Comando Militar do Planalto, conforme confirmaram fontes militares e da PF.

General Braga Netto, condenado por participação na tentativa de golpe de Estado
General Braga Netto, condenado por participação na tentativa de golpe de Estado (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Já o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, também condenado por tentativa de golpe, cumprirá a pena no Complexo Penitenciário da Papuda, em cela localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha — unidade destinada a policiais.

Anderson Torres
Anderson Torres (Foto: Ton Molina/STF)

Embargos infringentes descartados

As defesas de Garnier e Braga Netto apresentaram embargos infringentes, mas a jurisprudência do STF só os admite em caso de mais de um voto divergente. Como apenas o ministro Luiz Fux discordou da maioria no julgamento do núcleo central da tentativa de golpe, o pedido não deve prosperar.

Por ora, o ex-presidente permanece em sala de Estado-Maior da Polícia Federal. Caso novas infrações sejam registradas ou haja risco de mobilização social, o STF pode reconsiderar a custódia e determinar a transferência à Papuda. Já a prisão domiciliar, antes considerada, foi descartada pelo tribunal após a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica, interpretada como tentativa de fuga.

Alexandre Ramagem e Jair Bolsonaro em 2019
Alexandre Ramagem e Jair Bolsonaro em 2019 (Foto: Carolina Antunes/PR)

Sobre o deputado Alexandre Ramagem

O ministro Alexandre de Moraes pretende solicitar a extradição do deputado Ramagem, que está nos Estados Unidos, mesmo estando proibido de deixar o Brasil. Alexandre Ramagem foi condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão, e era responsável por chefiar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), durante o governo Bolsonaro.

A prisão preventiva contra Ramagem foi decretada por Moraes na última sexta-feira, 21, abrindo margem agora para o acionamento do Ministério da Justiça por meio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, órgão responsável por articular foragidos do Brasil em outros países.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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