O empresário Tiago Gomes de Souza, acusado de matar o idoso César Fine Torresi, de 77 anos, após uma briga no trânsito, será julgado por júri popular na tarde desta terça-feira (13). O crime ocorreu em 8 de junho de 2024, no bairro Aparecida, em Santos, na Baixada Santista. Segundo a acusação, a vítima morreu após receber uma voadora desferida pelo réu.
O julgamento começou às 13h30 no Tribunal da Barra Funda, na capital paulista. A mudança do local, inicialmente previsto para o litoral, foi solicitada pela defesa do empresário. O advogado argumentou que a ampla repercussão do caso poderia comprometer a imparcialidade dos jurados na região onde o crime ocorreu.
A previsão é de que a sessão se estenda até quarta-feira (14), devido ao número elevado de testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa. Tiago está preso na Penitenciária Tremembé II desde junho de 2024. Ele responde por homicídio qualificado, denúncia oferecida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) poucos dias após o crime.
Crime foi flagrado por câmeras
No dia do crime, câmeras de monitoramento registraram o momento em que o empresário corre em direção ao idoso e desfere a voadora (veja abaixo). Após o golpe, César caiu desacordado no chão, o que provocou revolta entre as pessoas presentes. Em meio à confusão, o suspeito tentou deixar o local, mas foi localizado e preso pela Polícia Militar (PM) depois.
A vítima chegou a ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Leste. No atendimento, o idoso precisou ser entubado e sofreu três paradas cardíacas. Apesar dos esforços da equipe médica, ele não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu algumas horas depois.
Laudos periciais apontaram que César morreu em decorrência de um traumatismo cranioencefálico associado a um edema no pericárdio. De acordo com a Polícia Civil, a vítima bateu a cabeça ao cair para trás após o chute. O impacto da agressão também teria provocado um inchaço no coração, agravando ainda mais o quadro clínico.
Investigação aponta violência extrema
No dia seguinte ao crime, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) converteu a prisão em flagrante de Tiago em preventiva. Durante as investigações, ele confessou a agressão e relatou fazer uso de medicamentos psiquiátricos. A defesa alegou que o empresário teria sofrido um ataque de fúria após ser advertido pela vítima durante a discussão.
A reconstituição do crime foi realizada no próprio local dos fatos, com a presença de familiares da vítima, autoridades policiais e dezenas de moradores. O acusado chegou a chorar, ajoelhou-se e pediu desculpas. Ainda assim, o MP entendeu que houve intenção de matar ou, ao menos, indiferença em relação ao resultado fatal da agressão.
Decisões judiciais
Todos os pedidos de revogação da prisão foram negados. Em março de 2025, o TJ-SP manteve, em segunda instância, a decisão que determinou o envio do empresário a júri popular. Na ocasião, o desembargador responsável destacou que o réu assumiu o risco do desfecho fatal ao agir com extrema violência. Ficou definida a análise pelo Tribunal do Júri.
Paralelamente ao processo criminal, a família da vítima buscou reparação na esfera cível. O filho de César ingressou com uma ação por danos morais e pediu indenização de 40 salários mínimos, pedido que foi acolhido pela Justiça, ainda cabendo recurso. Segundo a família, o valor deverá ser destinado às despesas médicas do neto do idoso, que presenciou a agressão.