“Não poderá participar.” Foi com essa frase que o Comitê Olímpico Internacional confirmou, nesta quinta-feira (12), a desclassificação do atleta ucraniano Vladislav Heraskevych das provas de skeleton nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026.
Heraskevych pretendia competir usando um capacete em homenagem a esportistas ucranianos mortos na guerra contra a Rússia. O equipamento, descrito por sua equipe como um “capacete memorial”, é cinza e traz imagens de atletas que perderam a vida no conflito.
O ucraniano chegou a participar dos treinos na segunda-feira e na quarta-feira com o capacete personalizado.
Proibição da COI
Segundo o COI, na terça-feira (10) foi sugerido que ele usasse uma braçadeira preta no lugar do capacete com imagens, o que seria uma medida excepcional. No entanto, o atleta persistiu no uso do capacete.
“Esta manhã, em sua chegada às instalações da competição, Heraskevych se reuniu com a presidente do COI, Kirsty Coventry, que explicou pela última vez a posição do COI. Como nas reuniões anteriores, ele se recusou a mudar a sua postura”, afirmou a entidade em um comunicado oficial.
Diante da situação, os juízes da Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton, a IBSF, optaram pela desclassificação do atleta com base no regulamento que proíbe o uso de equipamentos fora do padrão previamente aprovado pela entidade.
Em nota, o Comitê Olímpico Internacional informou que decidiu retirar a credencial de Heraskevych para os Jogos de 2026. Segundo o COI, apesar de diversas conversas e tentativas de acordo, o atleta não aceitou cumprir as diretrizes estabelecidas.
Ucrânia se manifestou
Descontente com a situação, Heraskevych desabafou na rede social X, “Este é o preço da nossa dignidade”, afirmou.
Em seguida, o chefe da diplomacia ucraniana também apontou críticas à COI.
“O COI vetou não apenas o atleta ucraniano, e sim a sua própria reputação. As gerações futuras vão citar isto como um momento de vergonha”, cometnou Andrii Sibiga, ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, nas redes sociais.
Sem deixar passar o caso, Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, defendeu o atleta do país e elogiou a iniciativa.
“O capacete traz os rostos de nossos atletas assassinados pela Rússia: o patinador artístico Dmytro Sharpar, morto em combate perto de Bakhmut; o biatleta Yevhen Malyshev, de 19 anos, morto perto de Kharkiv; e outros esportistas ucranianos cujas vidas foram interrompidas pela guerra”, escreveu Zelensky na rede social Telegram.