Uma empreendedora de São Vicente, no litoral de São Paulo, afirma ter tido uma encomenda de salgados furtada por um entregador de aplicativo. Segundo ela, o motociclista cancelou a corrida após retirar o pedido e desapareceu com os produtos que seriam entregues em uma festa de aniversário em Santos.
Patrícia Liscio trabalha produzindo salgados sob encomenda para festas e eventos, e havia recebido o pedido cerca de 20 dias antes da data da entrega. Os produtos seriam levados até o bairro Ponta da Praia. Para fazer o transporte, ela utilizou um aplicativo de corridas, como costuma fazer em outras ocasiões.
Segundo a empreendedora, o motociclista aceitou a corrida normalmente e chegou até a casa dela em uma moto de locação, com avaliação 4,9 no aplicativo. A boa pontuação transmitiu confiança no momento da retirada do pedido. “A cliente estava esperando para uma festa e simplesmente ficou sem o produto”, relatou.
Entrega cancelada
Patrícia relata que, antes da saída, orientou o motociclista a ter cuidado durante o trajeto, já que os salgados eram delicados e poderiam amassar. Durante a retirada, o telefone do entregador tocou e ele atendeu a ligação. O homem disse que quem ligava era a mãe e conversou rapidamente enquanto organizava os produtos.
De acordo com a empreendedora, a mulher ao telefone teria pedido que ele passasse em um local para comprar pastel. “Ele falou que ia terminar uma entrega e depois levar o pedido”, contou Patrícia. Após isso, o motociclista subiu na moto e saiu com a encomenda, enquanto ela aguardava a finalização da corrida no aplicativo.
No entanto, poucos instantes depois de virar a esquina da casa de Patrícia, o entregador cancelou a corrida no aplicativo e simplesmente “desapareceu”. A cliente, que aguardava os salgados para uma festa de aniversário, acabou ficando sem o pedido. “Os convidados já estavam na casa e ela simplesmente ficou sem o produto”.

Frustração
Diante da situação, Patrícia precisou devolver o valor pago à cliente – um prejuízo de R$ 200, já que a produção de salgados é uma importante fonte de renda complementar. A empreendedora afirma que costuma utilizar diferentes aplicativos de transporte para realizar entregas e que nunca havia passado por algo parecido.
Segundo ela, já enfrentou situações como atrasos ou cancelamentos de corridas, mas nunca um furto. “O aplicativo nem tem um campo para a gente informar isso”, afirmou.
Busca por respostas
Patrícia também contou que tem deficiência visual e enxerga cerca de 10%, dependendo da filha para solicitar corridas no aplicativo. Foi ela quem enviou a foto do motorista exibida na plataforma. Pelas características que consegue identificar, a empreendedora afirma ter certeza de que era o mesmo homem que retirou a encomenda.
A empreendedora diz ter procurado a empresa responsável pelo serviço em busca de explicações. Segundo ela, a plataforma informou que analisaria o caso em até 48 horas. O aplicativo também foi procurado pelo VTV News, mas não enviou posicionamento até o momento. O espaço para manifestações segue aberto.
Como agir em casos semelhantes
De acordo com o advogado criminalista Yuri Cruz, situações como a relatada pela empreendedora podem configurar crime. Segundo ele, quando alguém recebe um bem de forma legítima e depois se apropria indevidamente, a conduta pode ser enquadrada como apropriação indébita, prevista no Código Penal.
O especialista explica que a classificação pode mudar conforme as circunstâncias. Se as investigações indicarem que o motorista já aceitou a corrida com a intenção de não entregar a encomenda, o caso também pode ser caracterizado como estelionato.
Segundo Cruz, a vítima deve procurar uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência e solicitar à plataforma os dados do motorista. Ele também ressalta que, além da esfera criminal, é possível buscar reparação na Justiça pelos prejuízos causados. Confira alguns cuidados básicos:
- Entregar a encomenda somente após o início da corrida no aplicativo;
- Conferir a placa do veículo e o nome do motorista;
- Registrar todas as informações da corrida;
- Guardar comprovantes e conversas que possam servir como prova.