Com a chegada do outono, o número de atendimentos por quadros respiratórios aumenta na rede de saúde. Quando se trata de uma criança, pais e responsáveis devem ficar atentos aos sinais para definir quando procurar atendimento médico e quando é possível acompanhar o quadro em casa.
Essas questões foram abordadas no novo episódio do podcast Pod Gatti, produzido pelo Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP) da Rede Mário Gatti, com participação do médico pediatra Alexandre Carvalho Nogueira, instrutor do núcleo.
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Quais são os sinais de que é necessário um atendimento imediato?
Segundo Alexandre, os quadros clínicos mais comuns em crianças são os respiratórios. Para definir como proceder em cada situação, ele destaca a importância da observação.
“A primeira coisa é o olhar do pai e da mãe, que conhece o filho e sabe quando ele tá ruim. Porque resfriado a criança já teve várias vezes ao longo da vida. Mas tem um dia que é mais esquisito, que ela está mais cansada que o habitual, que está prostada, não passou a febre, a criança não se levanta, continua no sofá, está pálida. [Neste caso] tem que trazer”, exemplificou.
O especialista também aponta sintomas que indicam a necessidade de procurar uma unidade de saúde:
- Febre que persiste por mais de 48 a 72 horas
- Lábios roxos
- Respiração ofegante
- A criança faz força para respirar, e a pele afunda na região da fúrcula ou das costelas

O médico ainda alerta para casos de repetição, destacando que pneumonia e infecções de ouvido, por exemplo, não devem ocorrer com frequência. Caso se repitam, é necessário procurar um posto de saúde para avaliação.
Quando não levar para atendimento
O pediatra observa que há situações em que é possível acompanhar a evolução do quadro e adotar medidas em casa.
“Meu filho teve febre de 38 graus, nariz escorrendo, um pouco de tosse, fica mais chato para comer, não quer mamar. Mas quando baixa a febre, fica esperto, vai brincar, não está com sinais de cansaço, não está afundando a pele durante a respiração. Eu preciso levá-lo nesse momento? Não. O que eu faria pra essa criança? Limpar o nariz com soro com frequência”, exemplifica.
No entanto, o especialista ressalta que, caso surjam sinais de cansaço ou a febre persista por mais de dois dias, é preciso procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para acompanhar a evolução do quadro.
Como prevenir quadros respiratórios?
No caso da asma, Alexandre afirma que o tratamento deve ser preventivo. A partir da identificação de fatores de risco, o paciente passa a receber, no posto de saúde, medicações — geralmente inalatórias — para uso diário, evitando novas crises respiratórias.

Ele destaca que esses medicamentos apresentam poucos efeitos colaterais. “Como a dose vai diretamente para o pulmão, eu consigo fazer uma dose bem menor do que se eu fosse tomar por boca. A dose chega a ser mil vezes menor”, detalhou.
Em relação à bronquiolite, o médico cita a existência de uma vacina disponibilizada para gestantes e reforça a importância da imunização. A dose de anticorpos aplicada na mãe passa pela placenta e garante a proteção do bebê, principalmente nos primeiros seis meses de vida, período mais crítico.
De acordo com Alexandre, os bebês só recebem essa vacina em casos específicos, quando há maior risco, como em situações de cardiopatia congênita, parto prematuro, entre outros quadros.
Medidas de prevenção caseiras
Além das orientações médicas, algumas medidas simples podem ajudar na prevenção de doenças respiratórias:
- Higienizar as mãos
- Não compartilhar garrafinhas de água na escola
- Utilizar máscara quando estiver resfriado
- Manter a hidratação em dia
- Manter uma alimentação balanceada, com frutas, legumes e verduras