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Artemis II: saiba o que 10 dias no espaço fazem com o corpo humano

A cápsula Orion pousou no Oceano Pacífico, na costa de San Diego, na noite desta sexta-feira (10)
lua-foto-nasa

Christina Koch, Victor Glover, Reid Wiseman e Jeremy Hansen percorreram mais de 406 mil quilômetros durante a missão Artemis II e passaram dez dias em um ambiente completamente diferente do que estão acostumados. A viagem entra para a história pelas distâncias alcançadas e pela retomada das missões tripuladas à Lua, mas também chama atenção por outro motivo: o que acontece com o organismo depois de tudo isso.

O retorno à Terra não encerra a missão para a tripulação. É justamente nesse momento que começa uma fase delicada, em que o corpo precisa reaprender a lidar com a gravidade. Durante o tempo no espaço, músculos, ossos e até o funcionamento do cérebro se ajustam à ausência de peso. Quando essa condição muda de forma brusca, o organismo precisa correr atrás para se reorganizar – e isso não acontece de um dia para o outro.

Efeito da gravidade

No espaço, o corpo entra em um modo de economia. Sem precisar sustentar peso, músculos usados para postura e locomoção deixam de ser exigidos como na Terra. O resultado aparece rápido: perda de massa e de força, principalmente em regiões como costas, pernas e pescoço. Para tentar conter esse efeito, astronautas seguem uma rotina intensa de exercícios, mesmo dentro da nave.

  • Perda muscular: pode chegar a 20% em semanas
  • Áreas mais afetadas: pernas, costas e pescoço
  • Rotina no espaço: cerca de 2 horas diárias de exercício

Os ossos seguem o mesmo caminho. Sem impacto e sem carga, a densidade óssea diminui gradualmente, o que aumenta o risco de lesões no retorno.

  • Perda óssea: até 10% em missões mais longas
  • Recuperação: lenta e, em alguns casos, prolongada
  • Motivo: ausência de pressão constante da gravidade

Cérebro e visão

Os efeitos do espaço não ficam só na parte física. Estudos com astronautas como Scott Kelly mostram que o cérebro também passa por mudanças após períodos fora da Terra.

Pesquisas identificaram alterações na forma como o cérebro se conecta, principalmente em áreas ligadas ao equilíbrio e à orientação. Isso ajuda a explicar por que muitos astronautas voltam com dificuldades momentâneas para se adaptar ao ambiente terrestre.

Outro ponto importante envolve a circulação de fluidos no corpo. No espaço, eles se concentram mais na região da cabeça, o que pode afetar a visão e causar alterações na estrutura dos olhos.

  • Efeitos cognitivos: respostas mais lentas e menos precisas
  • Equilíbrio: impactado na volta à Terra
  • Visão: pode sofrer alterações, em alguns casos duradouras

Alterações no DNA

No nível celular, o impacto continua. Um dos pontos mais curiosos envolve os telômeros, estruturas que protegem o DNA. Durante a permanência no espaço, eles tendem a se alongar – algo incomum quando comparado ao processo natural de envelhecimento.

O comportamento muda rapidamente após o retorno à Terra, com um encurtamento acelerado dessas estruturas. Esse vai e vem ainda é estudado, mas já indica que o ambiente espacial interfere diretamente no funcionamento básico das células. A exposição à radiação também entra na equação. Fora da proteção da atmosfera terrestre, o corpo fica mais vulnerável, o que pode afetar o sistema imunológico.

  • Telômeros: alongam no espaço e encurtam na volta
  • Imunidade: redução de glóbulos brancos
  • Pele: maior sensibilidade e irritações

A resposta do corpo após o retorno varia de acordo com o tempo passado no espaço. Em missões mais curtas, como a da NASA, a tendência é de recuperação mais rápida, com grande parte dos efeitos sendo revertida nas semanas seguintes.

Ainda assim, o processo exige acompanhamento e adaptação progressiva. O corpo precisa retomar funções básicas sob a ação da gravidade, o que envolve desde movimentos simples até o equilíbrio e a força muscular.

Em geral, cerca de 95% das alterações podem regredir após missões de curta duração, embora alguns efeitos possam persistir por mais tempo. Os dados coletados ajudam a entender melhor os limites do organismo humano; informação essencial para os próximos passos da exploração espacial.

Confira algumas imagens da missão Artemis II

Momentos antes de entrarem na atmosfera

Momento em que a Orion entra na atmosfera

Missão Artemis II cápsula Orion

Momento em que a cápsula Orion abriu o paraquedas

Pouso no mar

Inicio do resgate


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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