As dívidas já fazem parte da realidade de quase 70% dos brasileiros, segundo levantamento recente do Datafolha. O cenário acende um alerta sobre o avanço da inadimplência e o impacto direto no dia a dia das famílias, que enfrentam dificuldades para manter as contas em dia.
O estudo mostra que dois em cada três brasileiros têm algum tipo de dívida, seja com bancos, cartão de crédito ou até com amigos e familiares. E o problema vai além: muitos já não conseguem pagar o que devem.
Dívidas crescem e atingem diferentes perfis
As dívidas no Brasil não estão concentradas em um único grupo. O levantamento indica que a inadimplência atinge pessoas de todas as idades e regiões.
Entre os principais pontos:
- 29% estão com parcelas do cartão de crédito atrasadas
- 26% não pagaram empréstimos bancários
- 25% têm dívidas em carnês de lojas
Além disso, 41% das pessoas que pegaram dinheiro emprestado com conhecidos não conseguiram devolver.
Outro dado chama atenção: mais de 81 milhões de brasileiros estão inadimplentes, segundo o Mapa de Inadimplência da Serasa. É o maior número já registrado.
Crédito rotativo vira “bola de neve”
Um dos principais fatores por trás do aumento das dívidas é o uso do crédito rotativo do cartão.
Essa modalidade entra em ação quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura. O restante vira uma dívida com juros altos, que pode crescer rapidamente.
Hoje, cerca de 27% dos brasileiros usam esse tipo de crédito, mesmo que de forma ocasional. O problema é que os juros podem ultrapassar 14% ao mês, tornando a situação difícil de controlar.
Contas básicas também entram na lista
Não são só bancos que aparecem entre as dívidas. Contas do dia a dia também estão atrasando. Entre os principais débitos:
- Internet e telefone: 12%
- Impostos como IPTU e IPVA: 12%
- Energia elétrica: 11%
- Água: 9%
Esse cenário mostra que o problema já afeta necessidades básicas, não apenas consumo.
Aperto financeiro muda rotina das famílias
O impacto das dívidas vai além dos números e já altera hábitos da população. Segundo a pesquisa:
- 64% reduziram gastos com lazer
- 60% deixaram de comer fora
- 52% diminuíram a compra de alimentos
- 50% cortaram consumo de água, luz e gás
Além disso, 40% deixaram contas vencerem e 38% interromperam pagamentos ou até compra de remédios.
O levantamento também revela que 45% dos brasileiros vivem sob forte pressão financeira, sendo 27% em situação apertada e 18% em condição severa.
Falta de controle financeiro agrava dívidas
Outro ponto que contribui para o crescimento das dívidas é a falta de planejamento. Apenas 44% dos brasileiros fazem algum tipo de controle detalhado dos gastos. Já 23% não têm qualquer organização financeira.
Além disso, 66% da população não possui reserva de emergência, o que aumenta o risco de endividamento em situações inesperadas.
A dificuldade de fechar as contas também aparece como uma das principais preocupações pessoais, citada por 37% dos entrevistados.
No cenário atual, as dívidas deixaram de ser um problema isolado e passaram a refletir uma crise mais ampla no orçamento das famílias brasileiras.
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