Os reajustes dos planos de saúde coletivos (empresariais e por adesão) devem ficar entre 9% e 10% em 2026. Embora o índice seja inferior aos 11% aplicados em 2025, a correção estimada para este ano ainda representa o dobro da inflação oficial do país (IPCA), projetada em 4,80% pelo Boletim Focus.
O movimento reflete uma tentativa do setor de estabilizar as contas após anos de altas agressivas. Em 2023 e 2024, os reajustes atingiram 14,14% e 13,19%, respectivamente, motivados pela compensação de perdas durante a pandemia e pela alta frequência de uso dos serviços médicos.

Lucros em alta e redução de custos
A desaceleração no reajuste ocorre em um cenário de forte recuperação financeira para as empresas de saúde. Em 2025, as operadoras registraram um lucro de R$ 24,4 bilhões, o que representa uma alta expressiva de 120,6% em relação ao ano anterior.
Segundo analistas, essa melhora é fruto de uma combinação de fatores:
- Controle de custos: Regras de reembolso mais rígidas e novos acordos com prestadores.
- Sinistralidade em queda: O índice que mede o gasto com assistência em relação à receita caiu de 83,7% em 2024 para 81,7% em 2025.
- Judicialização: Expectativas de redução de gastos após decisões do STF que limitaram a obrigatoriedade de coberturas fora do rol da ANS.
O preço da “estabilização” para o beneficiário
Se para as empresas contratantes o cenário é de alívio no caixa, para o usuário final a realidade é de perda de qualidade no benefício. Especialistas apontam que o reajuste menor foi “comprado” com restrições severas.
A modalidade de coparticipação, por exemplo, avançou significativamente. Em 2020, 53,3% dos contratos previam taxas por consulta ou exame; em 2024, esse número saltou para 59,1%. Além disso, há um movimento de substituição de hospitais premium por redes mais simples e restritas.
“No final, esse equilíbrio sempre se traduz em redução de qualidade, seja da rede ou do reembolso, para chegar num valor que se possa pagar”, afirma Márcio Tosi, vice-presidente de Benefícios Corporativos da Acrisure Brasil.
Para o setor, as medidas de restrição vieram para ficar. A estratégia das operadoras foca agora em mudar o hábito do beneficiário, estimulando o uso da rede própria e desencorajando idas desnecessárias a prontos-socorros através de taxas mais altas.