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Lúpus e maternidade: cuidados essenciais para mulheres que planejam ser mães

No Dia Mundial do Lúpus, médico reforça a importância de acompanhamento especializado e controle da doença
Mãe cuidando do seu bebê

No Brasil, entre 150 mil e 300 mil pessoas vivem com Lúpus Eritematoso Sistêmico, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Hoje (10) é celebrado o data  Mundial da doença, uma data que chama atenção para a importância de cuidar de quem convive com ela.

A comemoração ocorre no Dia das Mães, o que reforça a necessidade de atenção especial para mulheres que vivem com lúpus e desejam ter filhos. A maioria delas pode ter uma gestação segura, desde que o planejamento seja adequado e o acompanhamento médico especializado. O ideal é que a gravidez aconteça em um período de controle da doença, preferencialmente após pelo menos seis meses de estabilidade clínica.

Durante a gestação, o acompanhamento conjunto entre reumatologista e obstetra de alto risco é fundamental. Alguns medicamentos precisam ser ajustados antes da concepção, enquanto outros são mantidos por ajudarem a prevenir complicações para a mãe e o bebê. Também é essencial monitorar a pressão arterial, a função renal e a presença de anticorpos que aumentam o risco de trombose ou problemas fetais. 

“Muitas pacientes com lúpus conseguem amamentar com segurança. O principal cuidado é avaliar quais medicamentos estão sendo utilizados, já que alguns são compatíveis com a amamentação e outros precisam ser suspensos ou substituídos. Medicamentos amplamente utilizados, como hidroxicloroquina e doses baixas de corticoides, geralmente são considerados seguros durante a amamentação. O acompanhamento médico é importante para equilibrar o controle da doença e a segurança do bebê”, explica Humberto Clemente, médico reumatologista.

O lúpus neonatal, relacionado à passagem de anticorpos maternos para o bebê durante a gestação, é a forma de lúpus mais diretamente ligada à maternidade. O lúpus eritematoso sistêmico, o tipo mais conhecido, pode acometer múltiplos órgãos. Há também o lúpus cutâneo, restrito principalmente à pele, e o lúpus induzido por medicamentos, que geralmente melhora após a suspensão da medicação causadora.

Os sintomas variam bastante entre os pacientes, mas os mais comuns incluem fadiga intensa, dores e inchaço nas articulações, febre, manchas na pele, especialmente a vermelhidão em “asa de borboleta” no rosto, queda de cabelo e sensibilidade ao sol. O lúpus também pode atingir órgãos internos, como rins, pulmões, coração e sistema nervoso.

Mãe segurando seu filho
Amamentar com lúpus exige cuidados, mas o vínculo e a proteção do bebê são sempre prioridade. O acompanhamento médico faz toda a diferença. – Crédito: Freepik

“O lúpus pode evoluir de maneira variável. Alguns pacientes apresentam períodos de remissão e crises, enquanto outros podem ter atividade persistente da doença. Sem tratamento adequado, o lúpus pode causar complicações graves, incluindo insuficiência renal, inflamação do sistema nervoso, tromboses, complicações cardiovasculares e maior risco de infecções”, pontua o médico reumatologista.

Diagnóstico e Tratamento

Para diagnosticar o lúpus, os médicos avaliam os sintomas, o histórico clínico e possíveis alterações em diferentes órgãos e sistemas do corpo. Entre os exames mais comuns estão o FAN, anti-DNA, anticorpos específicos, dosagem do complemento, hemograma e análise de urina para investigar eventual comprometimento renal. Em casos mais complexos, pode ser necessária uma biópsia de rins ou de pele para auxiliar na avaliação.


“Como o lúpus pode se manifestar de formas muito diferentes entre os pacientes e compartilhar sintomas com outras doenças autoimunes e inflamatórias, a experiência clínica e a avaliação global do quadro são fundamentais para o diagnóstico correto”, aponta o especialista.

O tratamento do lúpus varia de acordo com a gravidade da doença e os órgãos afetados. Entre os medicamentos mais utilizados estão antimaláricos, como a hidroxicloroquina, corticoides e imunossupressores. Em casos mais graves, podem ser indicadas terapias mais intensivas para controlar a inflamação e prevenir danos permanentes aos órgãos.

Em crianças, o tratamento tende a ser mais intensivo, devido à maior atividade inflamatória da doença. Também há atenção especial ao crescimento, ao desenvolvimento e aos possíveis efeitos a longo prazo dos medicamentos. “ Acredita-se que a doença surja da combinação entre predisposição genética, alterações do sistema imunológico e fatores ambientais. Entre os principais gatilhos estão a exposição excessiva ao sol, infecções virais, estresse intenso, alterações hormonais, tabagismo e alguns medicamentos. Em pessoas geneticamente predispostas, esses fatores podem estimular o sistema imunológico a atacar tecidos do próprio organismo”, elucida Humberto. 


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Autor

  • Cristiane Campari

    Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, com atuação destacada como trainee no Estadão, onde participou da 2ª edição do Focas Saúde. Também integrou a equipe da TV Câmara Campinas, contribuindo na cobertura institucional e na produção de conteúdo. Experiência na Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Campinas e no Consórcio PCJ.

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