Depois que uma adolescente grávida foi esfaqueada durante uma discussão em Praia Grande, no litoral de São Paulo, o Ministério Público (MP) denunciou Maria Eduarda da Silva Trindade por tentativa de homicídio qualificado. A denúncia foi aceita pela Justiça, que também decidiu manter a acusada presa preventivamente.
Segundo a denúncia, o caso aconteceu no dia 17 de junho, depois que vítima, de 16 anos, e acusada, de 21 – que não se conheciam pessoalmente – trocaram ofensas nas redes sociais. A vítima relata que tentou propor uma trégua na situação, negada pela autora do crime. O motivo da briga, no entanto, não foi especificado.
Conforme apurado pelo VTV News, a denúncia apresentada pelo MP foi recebida pela Justiça no dia 25 e, ao aceitar a acusação, o juiz Felipe Esmanhoto Mateo, do Foro de Praia Grande, afirmou que existem indícios suficientes de autoria e prova da existência do crime para o prosseguimento da ação penal.
Briga
A denúncia aponta que, depois da troca de ofensas, a adolescente teria procurado a suspeita para cobras satisfações após ela fazer publicações com referências ofensivas. A atitude teria gerado mais uma discussão entre ambas e Maria Eduarda chegou a chamá-la para um encontro, mas a adolescente teria recusado.
A vítima conta que ainda propôs que nenhuma das duas voltasse a citar o nome da outra nas redes sociais. Apesar disso, cerca de dois dias depois, a suspeita teria retomado as publicações ofensivas, compartilhado vídeos retirados do perfil da adolescente em grupos de mensagens e feito ameaças, como: “Vem aqui, sua vagab*nda, que eu vou te bater”.
A adolescente afirmou que tentou ignorar as provocações, mas decidiu publicar informações sobre Maria Eduarda em suas redes sociais. Segundo o boletim de ocorrência (BO), a suspeita descobriu onde ela estava e foi até o local, no bairro Guilhermina. Maria Eduarda estava com uma faca e uma tesoura, e usou a faca no crime.
A adolescente sofreu diversos golpes, principalmente na perna, e afirmou que a suspeita também tentou atingi-la na barriga e no rosto. As agressões só terminaram após uma testemunha conseguir conter a mulher.

Denúncia aceita
O magistrado manteve a prisão preventiva de Maria Eduarda e destacou, na decisão, que a acusada teria desferido diversos golpes de faca contra uma adolescente grávida de nove meses e afirmou que o “modus operandi” demonstra “total desequilíbrio emocional e desprezo da acusada pelas regras que regem a vida em sociedade”. Para o juiz, medidas cautelares diferentes da prisão são insuficientes, pois há risco de a acusada voltar a cometer crimes contra a vítima caso responda ao processo em liberdade.
A decisão ainda determina que Maria Eduarda seja citada para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias e requisitou a folha de antecedentes da acusada e solicitou a juntada de laudos periciais que ainda não constam no processo. O recebimento da denúncia não representa uma condenação, mas o reconhecimento de que existem elementos suficientes para que a ação penal tenha prosseguimento.
O espaço para a defesa da acusada segue aberto e o texto poderá ser atualizado.