A crise interna no clã Bolsonaro ganhou novos contornos digitais recentemente. Um levantamento do instituto Nexus, divulgado nesta terça-feira (14/7), traz dados reveladores. O vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro relata desrespeito do senador Flávio Bolsonaro obteve um engajamento nas redes sociais 132% superior à carta aberta publicada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em defesa do filho.
O estudo comparou minuciosamente a repercussão da carta, divulgada no último sábado (11/7), com o impacto gerado pelo vídeo de Michelle, publicado em 24 de junho. Enquanto o ex-presidente tentou consolidar o nome de Flávio como pré-candidato à Presidência, ele buscou pacificar o grupo. Contudo, o conteúdo da ex-primeira-dama dominou, com ampla vantagem, o cenário nas plataformas digitais.
O alcance do vídeo contra a carta de Jair Bolsonaro
A análise realizada pelo instituto Nexus utilizou amostras de interações nas redes sociais X, Facebook e Instagram para medir esse fenômeno. No X, a carta assinada por Jair Bolsonaro nomeia Flávio como seu porta-voz. Nela, o ex-presidente pede a união dos apoiadores. O documento alcançou cerca de 7,9 milhões de impressões em um período de 24 horas, embora esse material tenha somado apenas 428 mil interações.
Contudo, ao comparar esses números com a repercussão do vídeo de Michelle, o contraste fica evidente e chama a atenção. Segundo a pesquisa, o alcance da gravação da ex-primeira-dama no X superou o da carta em 240%. Além disso, ao somar o desempenho em todas as plataformas analisadas, o vídeo de Michelle atingiu 3,9 milhões de interações. Dessa forma, ela consolidou um engajamento nas redes sociais muito mais expressivo do que o documento oficial.
A origem do conflito entre Michelle e Flávio
Michelle Bolsonaro publicou o vídeo no dia 24 de junho. Naquela ocasião, a ex-primeira-dama afirmou que o enteado a humilhou durante uma conversa telefônica sobre o palanque do Partido Liberal no Ceará. Segundo o relato, Flávio afirmou, inclusive, que ela deveria se manter afastada das decisões partidárias. O argumento utilizado foi que ela não entenderia de política.
O desentendimento sobre o diretório do PL no Ceará já era público desde dezembro do ano passado. Naquela época, a ex-primeira-dama criticou a proximidade do partido com Ciro Gomes. Naquele momento, Flávio Bolsonaro classificou a postura da madrasta como autoritária e constrangedora. Esse episódio desencadeou a troca de farpas entre os dois.
Por fim, analistas políticos interpretam a carta de Jair Bolsonaro, publicada quase três semanas após o vídeo, como uma manobra. Eles a veem como uma tentativa de conter o desgaste e reafirmar a candidatura de Flávio. Essa ação ocorre diante dos questionamentos crescentes, inclusive dentro do próprio espectro da extrema-direita.
Relembre o caso: ‘Fui humilhada’, diz Michelle Bolsonaro ao relatar ataque de Flávio e racha política
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