A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia necessária para produzir no Brasil o principal medicamento contra o HIV distribuído pelo Sistema Único de Saúde, o SUS. O processo representa um avanço para ampliar a produção nacional e reduzir a dependência de fábricas estrangeiras.
O Instituto de Tecnologia em Fármacos, conhecido como Farmanguinhos, será responsável pela fabricação do dolutegravir. Atualmente, mais de 770 mil pessoas que vivem com o vírus utilizam o remédio no país.
O início da distribuição dos lotes fabricados no Brasil depende agora da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa.
Produção nacional do remédio contra o HIV aguarda aval
Farmanguinhos iniciou o processo de transferência tecnológica em 2020, após um acordo com a ViiV Healthcare e a biofarmacêutica GSK, responsáveis pelo desenvolvimento do medicamento.
Desde então, o instituto adaptou sua fábrica, comprou novos equipamentos e capacitou profissionais. A instituição também estruturou os processos técnicos, regulatórios e operacionais necessários para fabricar o produto.
Três lotes do dolutegravir já passaram pela fabricação e validação. Assim que a Anvisa conceder a autorização, os medicamentos poderão chegar à rede pública de saúde.
Desde 2022, Farmanguinhos já distribui ao SUS cápsulas produzidas nas fábricas da GSK. Ao todo, mais de 739 milhões de unidades chegaram à saúde pública por meio dessa parceria.
Leia também:
Como o dolutegravir age no organismo
O dolutegravir impede a multiplicação do vírus dentro das células de defesa. Com isso, o tratamento reduz a carga viral, melhora a imunidade e evita o avanço da infecção para a aids.
O medicamento também apresenta poucos efeitos colaterais e faz parte dos principais tratamentos contra o HIV utilizados no mundo.
Desde 2019, a Organização Mundial da Saúde recomenda o dolutegravir como opção preferencial para tratamentos de primeira e segunda linha. A orientação inclui gestantes e pessoas com possibilidade de engravidar.
Quando o paciente segue corretamente o tratamento, a carga viral pode atingir níveis indetectáveis. Nessa condição, o vírus não passa por relações sexuais, princípio conhecido como indetectável igual a intransmissível.
Fiocruz prepara nova etapa da produção
O acordo de transferência tecnológica também prevê a fabricação de um medicamento que combina dolutegravir e lamivudina. O SUS já distribui essa versão aos pacientes.
A expectativa é que Farmanguinhos comece a produzir a combinação em 2027. Antes disso, o instituto precisa concluir as etapas técnicas e receber as autorizações regulatórias.
A fabricação nacional pode aumentar a segurança no abastecimento e fortalecer a capacidade brasileira de produzir medicamentos estratégicos. O avanço também ajuda a garantir a continuidade do tratamento gratuito contra o HIV pelo SUS.