Um jovem de 18 anos, suspeito de gravar os próprios furtos e divulgar as ações em transmissões ao vivo nas redes sociais, foi apreendido em Santos, no litoral de São Paulo. Segundo a prefeitura, ele foi identificado por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) com o auxílio das câmeras do Centro de Controle Operacional (CCO).
A apreensão ocorreu na terça-feira (28), no bairro Gonzaga. De acordo com a administração municipal, as câmeras flagraram três jovens em atitude suspeita circulando pela ciclovia da orla. As informações foram repassadas às equipes das Rondas Ostensivas Táticas com Motocicletas (Rotam), que realizaram a abordagem.
Durante a ação, nenhum objeto ilícito foi encontrado nem havia pendências judiciais. Ainda assim, um deles foi reconhecido como o autor de um vídeo que circulava nas redes sociais mostrando o furto de uma corrente de ouro de uma idosa. O mesmo jovem também fazia transmissões ao vivo enquanto cometia os crimes e publicava imagens ostentando dinheiro e objetos que seriam provenientes dos furtos (assista abaixo).
Nas redes sociais, o perfil atribuído ao jovem reunia vídeos dos furtos, além de fotografias em que ele aparecia exibindo dinheiro em espécie e bens que teriam sido subtraídos das vítimas. Em uma das gravações, é possível vê-lo arrancando uma corrente do pescoço de uma mulher e fugindo em seguida.
Ainda de acordo com a Prefeitura de Santos, o adolescente foi encaminhado à Delegacia da Infância e da Juventude (Diju), onde a ocorrência foi registrada. Conforme apurado pelo repórter Pietro Falbuon, da VTV SBT, ele completou 18 anos nesta sexta-feira (31) e acabou sendo colocado em liberdade.
Completar 18 anos muda o caso?
O fato do jovem ter completado 18 anos no mesmo dia em que foi colocado em liberdade levantou dúvidas sobre uma possível relação entre a maioridade e a decisão. No entanto, segundo o advogado criminalista Renan Lourenço, que não tem relação com o caso, a idade considerada pela Justiça é a que ele tinha quando os atos foram praticados.
“Mesmo tendo completado 18 anos, ele continua respondendo pelo caso conforme as regras aplicáveis aos adolescentes, pois os fatos teriam ocorrido quando ele ainda tinha 17 anos. Ou seja, o que importa para a Lei é a idade que ele tinha no momento em que o ato foi praticado, e não a idade que passou a ter depois”,
disse ao VTV News.
O especialista acrescentou que a maioridade não gera automaticamente a soltura nem encerra o procedimento. “Ele ainda pode ser responsabilizado pelos atos praticados enquanto era menor de idade, inclusive com a aplicação de medidas socioeducativas, se for o caso. Assim, a liberação provavelmente está relacionada à análise das circunstâncias do caso e à decisão judicial, e não apenas ao fato de ele ter completado 18 anos”, finalizou.
Procurado pela reportagem, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que processos envolvendo crianças e adolescentes tramitam sob segredo de Justiça, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Por esse motivo, o órgão não pôde fornecer informações sobre o caso.

Até o momento, o VTV News não havia localizado a defesa do jovem, cuja identidade será preservada. A reportagem também procurou o TikTok para comentar o caso. O espaço segue aberto para manifestações.
O que diz a SSP?
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) informou que todos os casos registrados são rigorosamente investigados pela Polícia Civil, com o objetivo de identificar os responsáveis e recuperar os bens subtraídos. Segundo a pasta, as forças de segurança monitoram os indicadores criminais e adotam estratégias de enfrentamento às diferentes modalidades de crime nas regiões com maior incidência, incluindo ações preventivas contra roubos e furtos.
A SSP acrescentou que, entre janeiro e maio deste ano, os roubos na região de Santos caíram 35,86% em comparação com o mesmo período de 2025. No município, 880 infratores foram presos ou apreendidos no período, resultado das ações desenvolvidas pelas forças de segurança.