O Brasil possui uma das maiores redes de rios do mundo, mas apenas uma pequena parcela desse potencial é utilizada no transporte de cargas e passageiros. A ampliação da participação das hidrovias na logística nacional foi tema de um fórum realizado no Clube Naval de Brasília.
O encontro reuniu representantes do poder público, da iniciativa privada e do setor acadêmico para discutir caminhos que permitam transformar o potencial econômico, social e ambiental das águas interiores em projetos, investimentos e desenvolvimento.
Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier da Silveira Filho, apenas 5% da matriz logística brasileira utiliza o transporte hidroviário.
“O fórum é essencial para criar uma cultura na sociedade brasileira em relação à importância das hidrovias e da navegação interior no nosso país. Por incrível que pareça, o Brasil utiliza apenas 5% da matriz logística pelas hidrovias. Precisamos aproveitar esse potencial, toda essa dádiva que temos na natureza”, afirmou.

Integração entre diferentes setores
Uma das propostas do encontro foi aproximar o setor público, as empresas e as universidades para estimular a elaboração de projetos voltados ao desenvolvimento das hidrovias.
Criado em abril deste ano, o Cluster Naval de Águas Interiores do Brasil busca colaborar com essa articulação. A entidade pretende integrar diferentes setores e ampliar o debate sobre o uso sustentável das dez grandes bacias hidrográficas existentes no país.
Para o almirante da reserva e presidente do Cluster Naval de Águas Interiores do Brasil, Flávio Augusto Viana Rocha, a participação da iniciativa privada é fundamental.
“O Brasil tem riquezas em dez grandes bacias hidrográficas, e a Marinha cuida muito bem dessas bacias, mas a iniciativa privada precisa se somar a esse esforço”, destacou.
Competitividade e sustentabilidade
Além de ampliar a capacidade de transporte, o desenvolvimento das hidrovias é apontado como uma alternativa para reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade da economia brasileira e diminuir os impactos ambientais provocados pelo deslocamento de cargas.
O presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop) e conselheiro do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), Sérgio Aquino, afirmou que o país precisa aprofundar o debate e transformar seu potencial natural em ações concretas.
“É muito importante para o Brasil, para a competitividade, para a logística e para o meio ambiente que o país utilize cada vez mais o sistema hidroviário. Esse Fórum de Águas Interiores é algo que já deveríamos ter há muito tempo. A Marinha está prestando um grande serviço aos interesses nacionais ao aprofundar o debate e reunir lideranças e especialistas”, declarou.

O desafio, agora, é fazer com que a integração entre o poder público, o setor privado e as universidades avance para além das discussões e resulte em iniciativas capazes de ampliar a participação dos rios na matriz de transportes brasileira.