A Polícia Federal encontrou carros de luxo, joias, cavalos e obras de arte durante a Operação Arena, deflagrada nesta quinta-feira (13) para investigar um grupo empresarial ligado ao mercado de apostas online. Entre os endereços alvo da ação está um imóvel do advogado Nelson Wilians, no Jardim Paulista, em São Paulo.
Carros de luxo estavam na garagem
Imagens divulgadas durante a operação mostram três veículos de alto padrão na garagem do imóvel. Entre eles está uma Ferrari SF90, modelo híbrido esportivo cujo valor no mercado brasileiro pode ultrapassar R$ 4,8 milhões.
Também foram registrados dois Rolls-Royce Cullinan Black Badge, avaliados em aproximadamente R$ 6,6 milhões cada. Segundo as informações divulgadas sobre a operação, os automóveis não foram apreendidos pelos agentes.
A ação autorizada pela Justiça Federal também resultou na localização de outros bens de alto valor em diferentes endereços investigados, mas ainda não foi esclarecido a quem pertencem todos os objetos e animais encontrados.
Obra de Di Cavalcanti é localizada
Entre os itens identificados está uma obra atribuída ao artista modernista Emiliano Di Cavalcanti. Caso a autenticidade seja confirmada, a peça pode ter valor estimado entre R$ 300 mil e R$ 800 mil.
Além da obra, a PF encontrou joias e cavalos durante o cumprimento das medidas judiciais realizadas em cinco estados. Os investigadores ainda devem verificar a origem, a propriedade e a eventual relação desses bens com o esquema investigado.

Investigação envolve mercado de apostas
A Operação Arena apura possíveis crimes de natureza tributária, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionados à atuação de um grupo empresarial no segmento de apostas esportivas e jogos de azar.
De acordo com a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer se uma estrutura empresarial e financeira mantida no exterior teria sido utilizada para esconder a origem e a destinação de recursos obtidos por meio das atividades de apostas.
Ao todo, foram expedidos 17 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro e Sergipe. A Justiça também determinou o bloqueio e sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão, além de autorizar medidas relacionadas à quebra de sigilos bancário e telemático.
A operação conta com a participação da Receita Federal e da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
Nelson Wilians já foi alvo de outras investigações
O advogado Nelson Wilians já havia sido alvo de uma operação da Polícia Federal em setembro de 2025. Na ocasião, a Operação Sem Desconto investigava fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em julho deste ano, Wilians também foi alvo de uma ação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Secretaria da Fazenda estadual. A apuração trata de possíveis fraudes tributárias estimadas em até R$ 3,8 bilhões, relacionadas à comercialização de créditos falsos de ICMS.
No caso da Operação Arena, os investigados podem responder por crimes como evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros delitos contra o Sistema Financeiro Nacional, conforme o avanço das investigações.
Defesa afirma que atuação é profissional
Em manifestação sobre a operação, o escritório de Nelson Wilians afirmou que sua relação com o grupo empresarial investigado é exclusivamente profissional e está relacionada à prestação de serviços jurídicos.
Segundo a defesa, os advogados atuam dentro dos limites do exercício regular da profissão e não participam das atividades empresariais desenvolvidas pelos clientes. O escritório também afirmou que não deve haver associação entre a atuação profissional dos advogados e eventuais condutas atribuídas às empresas ou pessoas representadas.
A defesa pediu ainda cautela para que o exercício da advocacia não seja tratado como atividade criminosa em razão do perfil ou do ramo de atuação dos clientes.