Horas depois de um jovem de 19 anos morrer após ser baleado durante uma ação da Polícia Militar (PM), na noite de quinta-feira (13), a base da 1ª Companhia da PM Ambiental foi atacada a tiros, em Guarujá, no litoral de São Paulo. Segundo a corporação, o ataque teria sido uma “represália” à ação policial.
Tudo começou quando agentes do 21º Batalhão (BPM/I) foram acionados para averiguar denúncias sobre a instalação de barricadas em uma via pública, na comunidade Santa Rosa. No local, os policiais teriam encontrado diversos suspeitos armados e, segundo o relato, foram recebidos a tiros. Os agentes reagiram.
Em seguida, os suspeitos fugiram em direção a uma área de mangue, de onde teriam efetuado novos disparos contra as equipes. Com os tiros cessados, os policiais fizeram uma varredura pela região e encontraram o jovem – que não teve a identidade divulgada – ferido próximo às margens de um curso d’água, em estado de parada cardiorrespiratória.
Morte após disparos
O Corpo de Bombeiros (Cobom) foi acionado para o atendimento, e o jovem precisou ser retirado do mangue com o auxílio de uma embarcação. Foram iniciadas manobras de reanimação cardiopulmonar ainda durante o atendimento, com apoio de uma equipe médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O jovem foi levado em estado grave ao Hospital Santo Amaro (HSA), com ferimento por arma de fogo na região do tórax, mas não resistiu aos ferimentos e teve o óbito constatado por volta das 23h40. Um rádio comunicador que, segundo a polícia, era utilizado pelo grupo foi apreendido no local dos disparos.
Ataque à base da PM
Por volta das 2h desta sexta-feira (14), homens armados com fuzis dispararam contra a base da 1ª Companhia do 3º Batalhão de Polícia Militar Ambiental (3º BPAmb), na Avenida Manoel da Cruz Michael, localizada no mesmo bairro. Os agentes precisaram retornar ao local para interromper a ação e retomar o controle da área. No local, foram encontrados estojos de munição dos calibres 7,62 mm, 5,56 mm e 9 mm.
Segundo a PM, o ataque aconteceu enquanto equipes que haviam participado da ocorrência anterior estavam na Delegacia Sede de Guarujá para registrar o caso. Havia policiais na base no momento dos disparos, mas ninguém ficou ferido. Imagens obtidas pelo VTV News mostram marcas provocadas pelos tiros na base.
“A Instituição informa que o bairro Santa Rosa permanecerá com policiamento reforçado por tempo indeterminado, visando garantir a ordem pública, a segurança dos moradores de bem e a identificação e prisão dos autores dos ataques. É fundamental destacar que a favela do Santa Rosa é uma área com vasto histórico de agressões contra as forças de segurança, onde o crime organizado tenta manter um domínio estruturado pelo tráfico de drogas, oprimindo a população local. A atuação da Polícia Militar teve como premissa a devolução do direito de ir e vir dos moradores e a manutenção da lei”,
afirmou a PM, em nota.
A Polícia Militar também instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias da ocorrência. A corporação afirmou que a investigação deverá analisar os fatos relacionados ao confronto e reiterou que a atuação ocorreu para garantir a segurança dos moradores e o cumprimento da lei.

O que diz a SSP-SP
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) informou que “os PMs realizavam uma ação na região conhecida como Beco das Almas quando avistaram suspeitos que vendiam drogas. O grupo iniciou uma fuga e fez disparos contra os policiais, que intervieram”. A pasta acrescentou que um dos suspeitos foi localizado ferido e que o Corpo de Bombeiros (Cobom) foi acionado para prestar socorro, mas o jovem morreu.
“A perícia e o IML foram acionados e o caso foi registrado como homicídio decorrente de intervenção policial na Delegacia de Polícia de Guarujá. Diligências estão em andamento para identificar e prender outros envolvidos”,
finalizou a SSP-SP.
O caso é investigado pelas Polícias Civil e Militar. Sobre o ataque à Base da PM, a SSP-SP ainda não se manifestou.