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Eleições 2026: entenda por que a urna eletrônica é segura e auditável

Entenda o ciclo de transparência, criptografia e testes que blindam o equipamento
Urna eletrônica

O período eleitoral é marcado por dúvidas, descobertas e muita pesquisa. Mas, em toda eleição, seja municipal, estadual ou federal, muitos questionam: a urna eletrônica é confiável?

O sistema eletrônico de votação brasileiro completa três décadas de uso contínuo com um histórico de modernizações e auditorias públicas.

Desenvolvida pela Justiça Eleitoral e utilizada desde as eleições municipais de 1996, a urna opera sem conexão à internet e sob um protocolo de segurança em múltiplas camadas que envolve verificação de código, testes de invasão e blindagem física.

No dia 4 de outubro deste ano, o TSE, em uma iniciativa inédita, abriu ao vivo uma urna eletrônica (assista abaixo). Diante das câmeras, o coordenador de Tecnologia do TSE, Rafael Azevedo, mostrou os procedimentos que garantem a segurança e o sigilo da votação.

Assinatura digital e lacração das urnas eletrônicas nas eleições 2024        Foto: TSE

Assinatura digital e lacração das urnas eletrônicas nas eleições 2024 Fotos: TSE

Ciclo de transparência e auditorias

A fiscalização do ecossistema de votação tem início cerca de um ano antes do pleito, com a abertura do código-fonte dos programas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse conjunto de instruções é disponibilizado para análise minuciosa por partidos políticos, Polícia Federal, Ministério Público, Forças Armadas, universidades e entidades civis credenciadas.

Nesse período, o tribunal realiza o Teste Público de Segurança (TPS), evento em que especialistas independentes e cidadãos cadastrados tentam executar planos de ataque contra o equipamento para identificar e corrigir potenciais vulnerabilidades.

Integridade, autoria e criptografia

Para garantir que os programas que rodam na urna sejam autênticos e não sofram alterações, o TSE utiliza dois conceitos fundamentais de tecnologia da informação:

  • Integridade (Hashes): Ao término do desenvolvimento, os programas passam por um processo de lacração que gera resumos digitais únicos (hashes). Se uma única linha de código for alterada, o resumo muda completamente, invalidando o sistema.
  • Autoria (Assinaturas Digitais): Autoridades e representantes de entidades assinam digitalmente os sistemas lacrados. Uma cópia desses arquivos é mantida em mídias não regraváveis na sala-cofre do TSE.

Antes da votação, os cartórios eleitorais recebem os sistemas por meio de uma rede privada e criptografada da Justiça Eleitoral para realizar a inseminação dos aparelhos em sessões públicas.

Hardware de segurança e proteção física

As urnas eletrônicas são equipadas com um hardware de segurança — um processador físico protegido por resina epóxi que guarda os certificados e chaves de verificação do TSE.

Ao ser ligada no dia da eleição, a urna valida a integridade e a autoria de todos os softwares antes de liberar a inicialização. Se os hashes dos programas instalados divergirem dos originais gravados no chip, o equipamento trava e não entra em funcionamento.

Após a carga dos dados, as portas de acesso físico são seladas com lacres reagentes produzidos pela Casa da Moeda, que alteram visivelmente de cor caso haja qualquer tentativa de remoção.

Totalização e checagem de resultados

Encerrada a votação, a urna emite o Boletim de Urna (BU), um relatório impresso com a contagem total dos votos daquela seção, que é afixado na porta do local de votação para conferência pública.

Armazenamento

  • Mecanismo de Proteção: Mídia de resultado (pendrive exclusivo)
  • Função Principal: Guarda os votos criptografados e assinados digitalmente.

Transmissão

  • Mecanismo de Proteção: Rede privada criptografada
  • Função Principal: Envia os pacotes de dados ao TSE em frações de segundo.

Conferência

  • Mecanismo de Proteção: Batimento de BU e RDV
  • Função Principal: Permite auditar o resultado transmitido comparando com o impresso.

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Autor

  • Beatriz Santos

    Jornalista formada pela Universidade Santa Cecília em 2024. Atua com produção de conteúdo, redação e assessoria de imprensa.

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