O período eleitoral é marcado por dúvidas, descobertas e muita pesquisa. Mas, em toda eleição, seja municipal, estadual ou federal, muitos questionam: a urna eletrônica é confiável?
O sistema eletrônico de votação brasileiro completa três décadas de uso contínuo com um histórico de modernizações e auditorias públicas.
Desenvolvida pela Justiça Eleitoral e utilizada desde as eleições municipais de 1996, a urna opera sem conexão à internet e sob um protocolo de segurança em múltiplas camadas que envolve verificação de código, testes de invasão e blindagem física.
No dia 4 de outubro deste ano, o TSE, em uma iniciativa inédita, abriu ao vivo uma urna eletrônica (assista abaixo). Diante das câmeras, o coordenador de Tecnologia do TSE, Rafael Azevedo, mostrou os procedimentos que garantem a segurança e o sigilo da votação.

Assinatura digital e lacração das urnas eletrônicas nas eleições 2024 Fotos: TSE
Ciclo de transparência e auditorias
A fiscalização do ecossistema de votação tem início cerca de um ano antes do pleito, com a abertura do código-fonte dos programas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse conjunto de instruções é disponibilizado para análise minuciosa por partidos políticos, Polícia Federal, Ministério Público, Forças Armadas, universidades e entidades civis credenciadas.
Nesse período, o tribunal realiza o Teste Público de Segurança (TPS), evento em que especialistas independentes e cidadãos cadastrados tentam executar planos de ataque contra o equipamento para identificar e corrigir potenciais vulnerabilidades.
Integridade, autoria e criptografia
Para garantir que os programas que rodam na urna sejam autênticos e não sofram alterações, o TSE utiliza dois conceitos fundamentais de tecnologia da informação:
- Integridade (Hashes): Ao término do desenvolvimento, os programas passam por um processo de lacração que gera resumos digitais únicos (hashes). Se uma única linha de código for alterada, o resumo muda completamente, invalidando o sistema.
- Autoria (Assinaturas Digitais): Autoridades e representantes de entidades assinam digitalmente os sistemas lacrados. Uma cópia desses arquivos é mantida em mídias não regraváveis na sala-cofre do TSE.
Antes da votação, os cartórios eleitorais recebem os sistemas por meio de uma rede privada e criptografada da Justiça Eleitoral para realizar a inseminação dos aparelhos em sessões públicas.

Hardware de segurança e proteção física
As urnas eletrônicas são equipadas com um hardware de segurança — um processador físico protegido por resina epóxi que guarda os certificados e chaves de verificação do TSE.
Ao ser ligada no dia da eleição, a urna valida a integridade e a autoria de todos os softwares antes de liberar a inicialização. Se os hashes dos programas instalados divergirem dos originais gravados no chip, o equipamento trava e não entra em funcionamento.
Após a carga dos dados, as portas de acesso físico são seladas com lacres reagentes produzidos pela Casa da Moeda, que alteram visivelmente de cor caso haja qualquer tentativa de remoção.
Totalização e checagem de resultados
Encerrada a votação, a urna emite o Boletim de Urna (BU), um relatório impresso com a contagem total dos votos daquela seção, que é afixado na porta do local de votação para conferência pública.
Armazenamento
- Mecanismo de Proteção: Mídia de resultado (pendrive exclusivo)
- Função Principal: Guarda os votos criptografados e assinados digitalmente.
Transmissão
- Mecanismo de Proteção: Rede privada criptografada
- Função Principal: Envia os pacotes de dados ao TSE em frações de segundo.
Conferência
- Mecanismo de Proteção: Batimento de BU e RDV
- Função Principal: Permite auditar o resultado transmitido comparando com o impresso.
Leia também