As mudanças climáticas associadas ao El Niño, com previsão de ondas de calor, secas, chuvas extremas e alterações nas tempestades, podem exigir atenção redobrada de pessoas com hipertensão arterial. Segundo especialista, temperaturas extremas e situações de estresse podem provocar oscilações na pressão e sobrecarregar o sistema cardiovascular.
O alerta ganha relevância no Brasil, onde quase 30% da população tem hipertensão, segundo o Ministério da Saúde. O fenômeno El Niño pode se tornar um dos episódios mais intensos registrados desde 1950, conforme a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).
Como o El Niño pode afetar pessoas com hipertensão?
O cardiologista Rogério Okawa, diretor científico do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA/SBC), explica que diferentes condições climáticas podem interferir no controle da pressão arterial.
Durante períodos de frio, por exemplo, o organismo ativa mecanismos para conservar o calor, o que pode elevar a pressão arterial.
Já nos dias muito quentes, o aumento da frequência cardíaca e as respostas do corpo à perda de líquidos podem sobrecarregar o sistema cardiovascular.
Além disso, eventos como enchentes e secas podem provocar estresse e ansiedade, fatores que também exigem atenção de quem já convive com a pressão alta.
“Enchentes, secas e outros eventos climáticos extremos podem gerar estresse e ansiedade. Quando essa tensão se torna frequente, pode contribuir para oscilações da pressão arterial, o que exige atenção especial de quem já tem hipertensão”, ressalta o cardiologista.
Calor pode provocar oscilações na pressão arterial
Em dias de temperaturas muito altas, o corpo perde mais líquidos. Essa condição pode contribuir para oscilações da pressão arterial e provocar sintomas como tontura, mal-estar, palpitações e até desmaios.
Para reduzir os riscos, o especialista recomenda manter a hidratação ao longo do dia, sem esperar a sede aparecer.
Também é importante evitar a exposição prolongada ao sol, procurar ambientes mais frescos e observar sinais como tontura e fraqueza.
“Durante as temperaturas mais altas, o ideal é não esperar a sede aparecer para beber água. Também vale evitar exposição prolongada ao sol, procurar ambientes frescos e ficar atento a sinais como tontura e fraqueza. Para quem já tem hipertensão, manter o tratamento e o acompanhamento médico é fundamental”, explica Okawa.
Frio também pode aumentar a pressão arterial
As temperaturas mais baixas também exigem cuidados. Quando o frio aumenta, os vasos sanguíneos se contraem para ajudar o organismo a preservar o calor.
Como consequência, o coração precisa fazer mais força para bombear o sangue, o que pode elevar a pressão arterial.
Segundo o cardiologista, manter o corpo aquecido é uma medida simples que pode ajudar durante os dias frios.
“Nos dias frios, manter o corpo aquecido, especialmente mãos e pés, é uma medida simples que ajuda”, destaca.

Estresse e ansiedade também pesam no coração
As consequências de eventos climáticos extremos não se limitam às mudanças de temperatura. Situações de tensão e preocupação podem fazer o organismo liberar hormônios como adrenalina e cortisol.
Essas substâncias aceleram os batimentos cardíacos e contraem os vasos sanguíneos, podendo provocar um aumento temporário da pressão arterial.
Para reduzir a tensão no dia a dia, o especialista recomenda incluir pequenas pausas na rotina.
Respirar profundamente, caminhar, praticar uma atividade prazerosa e cuidar do sono são algumas das estratégias apontadas pelo cardiologista.
“Para driblar o estresse no dia a dia, podemos criar pequenas pausas para o corpo sair desse estado de alerta. Respirar profundamente, fazer uma caminhada, praticar uma atividade prazerosa e cuidar do sono são estratégias que ajudam a reduzir a tensão do dia a dia”, recomenda o Dr. Rogério Okawa.
Cuidados para pessoas hipertensas durante eventos climáticos extremos
Entre as medidas destacadas pelo especialista estão:
- Manter uma boa hidratação, especialmente em dias quentes;
- Evitar exposição prolongada ao sol e ao calor intenso;
- Ficar atento a sintomas como tontura, fraqueza, mal-estar e palpitações;
- Manter o corpo aquecido durante períodos de frio;
- Cuidar do sono e buscar estratégias para reduzir o estresse;
- Manter o tratamento e o acompanhamento médico para o controle da hipertensão.
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