Os sócios do escritório Barci de Moraes, ligado à esposa e aos filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, são alvo de um processo ético-disciplinar instaurado pela Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF). A abertura do procedimento foi comunicada na noite de terça-feira (8).
A apuração também envolve o advogado Ciro Soares e tem como base um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, ligado ao banco Master, e Alexandre de Moraes.
A partir desse procedimento, a OAB-DF informou que outras denúncias semelhantes também poderão ser analisadas pelo órgão. Para a abertura de novos processos, no entanto, é necessário o encaminhamento de elementos mínimos de prova que possam fundamentar as investigações.
Relação entre Vorcaro e Moraes
Documentos da investigação da Polícia Federal sobre a relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes foram tornados públicos pelo ministro do STF, André Mendonça. O conteúdo detalha as negociações mantidas pelo banqueiro com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, que deram origem a contratos de valores milionários.
Entre os materiais analisados pela investigação estão mensagens enviadas por Daniel Vorcaro por meio do recurso de visualização única. Para encaminhar os conteúdos, o ex-banqueiro escrevia no aplicativo Notas e fazia uma captura de tela antes de enviar as imagens ao destinatário.
Os registros revelam pedidos de Vorcaro a Alexandre de Moraes relacionados ao andamento das investigações sobre o banco Master. O material também menciona tratativas contratuais com Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, incluindo negociações no valor de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada.
Em 15 de novembro, dois dias antes da prisão do empresário, Vorcaro consultou o magistrado sobre a possibilidade de deixar o Brasil. A troca de mensagens inclui o questionamento sobre a necessidade de estar fora do país na segunda-feira seguinte.
Últimos acontecimentos
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi alvo de um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que a investigação conduzida por ele sobre a suposta rede de influência de Daniel Vorcaro fosse anulada.
A manifestação foi apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, que apontou a presença de uma extensa parte do relatório da Polícia Federal dedicada a Alexandre de Moraes. Diante disso, a PGR levantou questionamentos sobre a maneira como a apuração foi conduzida.
Gonet também defendeu que ministros do STF somente podem ser investigados mediante autorização do plenário da própria Corte.




