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STF: Flávio Dino reage à operação contra fonte e cita ‘distorção monumental’

Ministro do STF se manifesta após operação da PF que investiga suposto monitoramento e vazamento de dados
STF: Flávio Dino reage em entrevista no plenário, com expressão séria, usando óculos e toga, enquanto discursa sobre operação e cita “distorção monumental”.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira (13) que as regras da magistratura o impedem de participar de debates públicos. Segundo o magistrado, o cargo exige silêncio diante de “agressões, injustiças e distorções monumentais”.

A manifestação ocorre após uma operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. A investigação mira o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim, e o advogado Diogo Diniz Lima. A Polícia Federal (PF) os aponta como fontes do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida.

Entenda a Operação da Polícia Federal

A apuração indica que Raimundo Cutrim acessou sistemas restritos para mapear dados de veículos e deslocamentos da família de Dino. Em seguida, repassou as informações ao jornalista. Os dados embasaram reportagens sobre o uso privado de um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA).

A ordem de busca e apreensão expedida por Alexandre de Moraes na última terça-feira (11), com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR), gerou intenso debate jurídico. Entidades de imprensa questionaram a medida por riscos à proteção constitucional ao sigilo da fonte.

O Posicionamento de Flávio Dino

Sem citar nomes, Dino usou as redes sociais para rebater críticas e explicar sua postura restrita diante da polêmica:

“Como já tive oportunidade de esclarecer, a minha atual função de juiz impede-me de participar cotidianamente de ‘apaixonados’ debates públicos. Isso inclui suportar calado agressões e injustiças, assistir a distorções monumentais quanto a fatos e acompanhar perplexo a exposição de interpretações absurdas.”

O ministro comparou sua rotina atual com o período em que ocupava cargos políticos e tinha maior liberdade de expressão. Ele classificou a restrição como um ônus do ofício e destacou sua trajetória:

  • “Em outras funções podia me pronunciar abertamente, com mais frequência.”
  • “Isso faz parte do ônus do meu ofício, que assumo com gosto pela responsabilidade na jurisdição.”
  • “De todo modo, a minha biografia e a minha atuação profissional, em 37 anos de serviço público, são a minha maior defesa.”

Repercussão no Cenário Político e Institucional

A operação gerou reações divergentes entre autoridades e entidades:

  • Associações de Imprensa: Organizações como SIP, Abert, ANJ, Aner e Iasp apontaram que medidas contra fontes representam um ataque direto ao livre exercício do jornalismo.
  • OAB-Maranhão: A secional destacou em nota que a apreensão de equipamentos de trabalho de jornalistas fere garantias fundamentais da Constituição Federal.
  • Flávio Bolsonaro: O senador criticou a decisão de Moraes durante coletiva. Ele classificou o sigilo da fonte como “sagrado” e apontou a medida como uma ameaça à liberdade de imprensa.

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Autor

  • Beatriz Biaggioni

    Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Comunicativa e curiosa, gosto de ouvir histórias, aprender com as pessoas e transformar isso em comunicação com sentido. Em constante crescimento, com olhar atento e vontade de fazer bem feito.

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