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Motorista que atropelou e matou coletor em São Vicente vira foragido, mas ‘não teve intenção’

Defesa afirma que motorista pensou ter atingido apenas um prédio

Raphael Costa de Carvalho, de 31 anos, está foragido. Segundo a Polícia Civil, ele teve a prisão temporária decretada após atropelar e matar o coletor de lixo André Luiz de Menezes da Silva, de 45 anos, enquanto dirigia em alta velocidade em São Vicente, no litoral de São Paulo. Já a defesa afirma que ele “não teve intenção”.

Como já noticiado, o atropelamento aconteceu por volta das 4h47 do último dia 3, na Rua Onze de Junho, no bairro Itararé, próximo à Praia dos Milionários. André Luiz estava de bicicleta a caminho do trabalho quando foi atingido pelo veículo, que invadiu a ciclofaixa. Ele morreu no local, e o motorista não prestou socorro.

O VTV News apurou que policiais foram até a casa de Raphael na sexta-feira (12), mas ele não estava no local. Por isso, passou a ser considerado procurado pela Justiça. A prisão foi decretada no curso do inquérito que apura o caso como homicídio doloso qualificado, de acordo com o delegado Marcos Alexandre Alfino.

Em nota enviada à reportagem, a defesa afirma que Raphael só soube que havia atropelado um ciclista depois que a mãe entrou em contato e contou que policiais haviam ido até a residência da família. Segundo o advogado, foi ela quem posteriormente apontou à Polícia Civil que o motorista do carro era o próprio filho.

O que diz a defesa

Segundo o advogado Ricardo Capusso Velloso, que defende Raphael, ele encontrou um “amigo de infância” em frente a uma adega após sair do trabalho. Os dois teriam ido para um pagode por volta das 3h. No local, segundo a defesa, o amigo de Raphael comprou uma garrafa de uísque e passou a beber com outras pessoas.

Por volta das 4h, Raphael teria convidado o amigo para ir até a Ilha Porchat, península na divisa entre Santos e São Vicente. Segundo o advogado, o amigo informou que estava cansado, mas Raphael insistiu. Os dois se despediram das outras pessoas, e o passageiro levou a garrafa de uísque para dentro do veículo.

Ainda conforme a defesa, Raphael estava conduzindo o veículo, mas não consumiu bebida alcoólica.

“Já na Rua Onze de Junho, próximo ao Ilha Porchat, Raphael distraiu-se ao tentar pegar o aparelho de celular, momento em que sentiu um impacto”,
disse Velloso.

A defesa afirma que o motorista percebeu que havia atingido alguma coisa, mas não identificou o que era, apesar de ouvir “o barulho de vidros se quebrando”. Segundo o advogado, Raphael acreditou que havia causado danos materiais no edifício pelo qual havia passado no momento do impacto.

“Raphael não parou o veículo e passou a conduzi-lo em direção à sua residência e falou para seu amigo que só pararia ao chegar. Durante o trajeto, já na Rua Campos Sales, centro da cidade de São Vicente, ao passar por uma valeta, estouraram dois pneus do veículo e, assim, Raphael estacionou o veículo no local e, juntamente com seu amigo, desembarcaram, passando ambos a correrem. Raphael não percebeu que havia atingido uma pessoa e só ficou sabendo que se tratava do ciclista quando sua Genitora entrou em contato com ele”,
disse.

Sobre a prisão temporária, o advogado afirmou que a medida causou “estranheza” à defesa. Segundo Velloso, não estariam presentes os requisitos previstos em lei para autorizar a decretação da prisão.

O advogado informou ainda que, “conforme será demonstrado durante a instrução processual, Raphael não estava embriagado”. O defensor também expressou, em nome do cliente, “condolências à família [da vítima], deixando claro que em nenhum momento teve a intenção de ferir ou tirar a vida de qualquer pessoa”. Por fim, Velloso afirmou que Raphael “expressa sua intenção de indenizar a família da vítima e ajudar os mesmos”.

Ciclista morto em São Vicente: Três imagens em sequência mostram um carro em registro de câmera ao fundo, um suspeito identificado em foto segurando um bebê e uma bicicleta danificada na via, em São Vicente.
Coletor morreu após ser atingido por carro que invadiu a ciclofaixa em São Vicente – Foto: reprodução

Versão do passageiro

O passageiro do veículo, descrito como “amigo de infância” de Raphael e testemunha do acidente, prestou depoimento no último dia 4, acompanhado do advogado Mário Badures. Segundo a defesa, ele afirmou que os dois consumiram uísque, mas também disse que não percebeu que o carro havia atingido uma pessoa.

Em nota, Badures afirmou que “trata-se de um gravíssimo atropelamento, que vitimou um pai de família” e que seu cliente “compareceu em solo policial demonstrando disposição em colaborar ao máximo com as investigações”. Segundo o defensor, as circunstâncias presenciadas pelo passageiro foram “exaustivamente explicadas à Autoridade Policial”.

“É de se observar que a testemunha em nenhum momento teve conhecimento de que havia uma vítima fatal, declarando ter a dinâmica sido muito rápida e que o impacto do seu lado, sendo que em razão do estrondo, se assemelhava à colisão com outro automóvel ou algo do gênero. A ciência de que se tratava de um atropelamento com vítima fatal se deu posteriormente em razão das postagens em mídia social e cobertura da imprensa, questão essa que motivou o comparecimento e esclarecimento dos fatos em solo policial”,
disse o defensor do passageiro.

Ao VTV News, o advogado também explicou que o passageiro não é tratado como suspeito pela Polícia Civil e que não há pedido de prisão preventiva contra ele, diferentemente do que ocorre com o motorista. “Grave fake news e que atrapalha, inclusive, a própria apuração […]. A responsabilidade penal é individual e não se confunde passageiro, ora testemunha, com o motorista, autor dos fatos”, complementou.

Polícia apura possível homicídio doloso após motorista atropelar e matar ciclista em São Vicente – Foto: SSP-SP

Fuga, abandono e identificação

O veículo saiu da Rua Onze de Junho, no bairro Itararé, onde ocorreu o atropelamento, e foi abandonado na Rua Campos Sales, a cerca de três quilômetros do local – filmado por câmeras de monitoramento (veja mais abaixo).

Segundo o boletim de ocorrência (BO), o carro é uma Range Rover Evoque P300 HSE, de cor cinza. A Polícia Civil conseguiu identificar o motorista porque, junto ao veículo, foram encontrados um documento pessoal e um cartão de convênio médico em nome dele. Havia ainda parte da roupa da vítima presa ao carro. Raphael já havia sido preso por dirigir embriagado em 2024.

“Entendo que [o suspeito] agiu com o dolo eventual, que configura o crime de homicídio doloso. Não há chance de ser possível homicídio culposo porque a velocidade utilizada no momento do acidente é muito acima da permitida naquele local e ainda ele fugiu do local dos fatos para se furtar das responsabilidades de socorrer a vítima”,
disse o delegado Marcos Alfino.

A classificação do crime, no entanto, depende da avaliação da Justiça. Raphael continua sendo procurado e, conforme apurado pelo VTV News, os pais dele prestarão depoimento à Polícia Civil nesta segunda-feira (14), acompanhados pela defesa do filho. A mãe do motorista foi intimada pela corporação no sábado (12).

Quem era a vítima

André morava no bairro Parque Bitaru e estava a caminho do trabalho, em Santos, quando foi atingido pelo veículo e arremessado contra a fachada de um prédio. A vítima completaria 46 anos no dia 15 de setembro. Ele deixou uma filha de um ano, do atual relacionamento, e um filho adolescente, do primeiro casamento.

Segundo a Prefeitura de São Vicente, o coletor sofreu um grave traumatismo cranioencefálico. Equipes do Corpo de Bombeiros (Cobom) encontraram a vítima em parada cardiorrespiratória e realizaram os primeiros procedimentos de reanimação. O Samu também foi acionado, mas confirmou a morte às 4h47.


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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