As bets começaram a sair do ar no Brasil e milhares de páginas ligadas às apostas já entraram na lista de bloqueios do governo federal. Até esta terça-feira (6), o governo solicitou o bloqueio de 13.241 sites ilegais.
Além do encerramento das plataformas, outro número chama atenção: cerca de R$ 1,325 bilhão ainda precisa ser devolvido a aproximadamente 26,5 milhões de apostadores.
O prazo para retirada voluntária do dinheiro diretamente nas plataformas terminou às 23h59 de segunda-feira (5). Agora, começa uma nova etapa para quem ainda tinha saldo nas contas.
Por que as bets estão saindo do ar?
As bets começaram a deixar de operar no país nesta terça-feira (6), seguindo o cronograma previsto na Medida Provisória 1.394/2026.
A medida proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas esportivas e jogos online no Brasil.
Dos 188 sites de apostas que tinham autorização para operar até segunda-feira (5), apenas um ainda permanecia disponível nesta terça. Segundo o Ministério da Fazenda, o governo também solicitou o bloqueio da plataforma.
Além dos sites, o governo pediu a retirada de conteúdos ligados às apostas em redes sociais e aplicativos. Entre eles estão:
- 974 páginas no Facebook;
- 560 perfis no Instagram;
- 900 canais e grupos no Telegram;
- 103 perfis no TikTok;
- 14 grupos no WhatsApp;
- 1 servidor no Discord.
Segundo o governo, essas páginas e perfis alcançavam mais de 17 milhões de usuários.
Quando o dinheiro das bets será devolvido?
A devolução dos valores das bets começa a entrar na etapa bancária nesta semana.
As empresas têm os dias 7 e 8 de outubro para informar às instituições financeiras os valores mantidos por cada apostador. Os saldos serão vinculados ao CPF e à conta bancária usada para realizar os depósitos.
Depois disso, os bancos deverão fazer os pagamentos.
Cronograma da devolução
- 5 de outubro: terminou o prazo para saque direto nas plataformas;
- 6 de outubro: começou a retirada dos sites e aplicativos do ar;
- 7 e 8 de outubro: empresas informam aos bancos os saldos dos clientes;
- 9 a 14 de outubro: bancos devolvem o dinheiro aos apostadores;
- A partir de 14 de outubro: a Caixa poderá intermediar casos em que houver impedimento para o pagamento bancário.
Quem não conseguiu retirar o dinheiro antes do encerramento das plataformas não perde o saldo.
O governo recomenda que os apostadores guardem comprovantes de saldo e registros de pedidos de saque realizados antes do fechamento dos sites.
R$ 1,3 bilhão ainda está nas contas
Dados divulgados pelo governo mostram que R$ 1,325 bilhão ainda aguarda devolução aos usuários.
Ao todo, cerca de 26,5 milhões de pessoas possuem algum valor pendente nas plataformas.
A maioria dos saldos, porém, é pequena. Existem 86,2 milhões de contas com valores entre R$ 0,01 e R$ 0,99. Juntas, elas representam aproximadamente R$ 15,5 milhões.
Uma mesma pessoa pode ter cadastro em mais de uma plataforma, por isso o número de contas supera o número de apostadores.
Poucos apostadores concentram a maior parte do dinheiro
Apesar da quantidade de usuários, grande parte do dinheiro está concentrada em uma pequena parcela das contas.
Segundo o Ministério da Fazenda, aproximadamente 1% dos apostadores, cerca de 200 mil pessoas, concentra 80% do saldo ainda pendente.
Já 3,4% dos usuários possuem cerca de 90% de todo o valor que ainda precisa ser devolvido.
O governo também identificou aproximadamente 40 contas com valores considerados elevados, incluindo saldos superiores a R$ 500 mil ou R$ 1 milhão.
Esses casos deverão passar por investigação para verificar possíveis irregularidades, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e vínculos com organizações criminosas.
Governo já pediu bloqueio de mais de 13 mil sites
Desde o início das ações contra as plataformas ilegais, o governo já solicitou o bloqueio de 13.241 páginas, média de aproximadamente 1,1 mil sites por dia no período citado pelo Ministério da Fazenda.
Lojas de aplicativos, provedores de internet e outros agentes envolvidos na infraestrutura da internet também participam do processo de retirada das plataformas.
A MP 1.394/2026 já está em vigor, mas ainda precisa passar pela análise do Congresso Nacional dentro do prazo constitucional.
*Com informações de Agência Brasil




