ALERTA DE GATILHO: Este texto aborda temas delicados, como bullying, cyberbullying, fobia social e pensamentos suicidas, que podem desencadear desconforto ou gatilhos emocionais em algumas pessoas.
Após mais de um ano sem publicar vídeos no YouTube e sete meses afastado das redes sociais, o influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, o Felca, de 27 anos, voltou à internet na madrugada desta terça-feira (20). Em um longo depoimento de cerca de uma hora, o criador de conteúdo apresentou laudo médico, revelou diagnóstico de fobia social e relatou os impactos de oito anos de bullying sofridos na infância em Londrina (PR). A publicação do novo vídeo do Felca, no entanto, dividiu reações na web: enquanto fãs apoiaram o desabafo, parte do público manifestou frustração por aguardar denúncias sobre as eleições, a apenas cinco dias do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O mistério antes do lançamento e a reação na web
O anúncio do retorno ocorreu na tarde de segunda-feira (19), quando o influenciador publicou nas redes sociais a frase: “Eu me escondi por tempo demais”. O suspense e a proximidade do calendário eleitoral alimentaram teorias de que o conteúdo traria revelações políticas.
Após a divulgação do novo vídeo do Felca à meia-noite, o nome do criador de conteúdo alcançou o topo dos assuntos mais comentados no X (antigo Twitter). A repercussão dividiu opiniões entre o apoio ao debate de saúde mental e piadas sobre a quebra de expectativa política.
“O cara simplesmente abriu o coração pra contar os traumas e inseguranças. Tem que ter muita coragem”, comentou um usuário.
Por outro lado, internautas cobraram posicionamento sobre o segundo turno ou ironizaram o momento. “Abrindo o vídeo do Felca achando que era pronunciamento e era sessão de terapia”, escreveu outro perfil. O humorista Antonio Tabet também reagiu: “Agora, também estou com fobia social do Felca”.
Trauma de infância e diagnóstico de fobia social
No relato, classificado por ele como o “mais sincero e mais difícil” de sua vida, Felca detalhou as origens do transtorno. As agressões começaram aos 12 anos, com ofensas verbais, e evoluíram para violência física. Em um dos episódios, cinco meninos o agrediram no banheiro da escola.
O influenciador revelou que passava os intervalos escondido. Ele descobriu a gravidade da situação ao ver uma lista organizada por colegas com os alunos mais ridicularizados da instituição, na qual ele ocupava o primeiro lugar.
Os traumas da adolescência desencadearam pensamentos suicidas entre os 14 e 18 anos, além de graves consequências na vida adulta. O novo vídeo do Felca mostra que o medo extremo de interações sociais provocava aceleração cardíaca intensa em situações simples do cotidiano.
Uso de álcool e acidente com costelas quebradas
Para conseguir cumprir compromissos profissionais, palestras e gravações, o criador de conteúdo admitiu que recorria ao alcoolismo para suportar o contato com pessoas.
Durante a gravação de um conteúdo sobre o body splash da empresária Virginia Fonseca, ele consumiu meia garrafa de vodca para vencer a timidez e abordar pessoas na rua. A situação culminou em um acidente em casa, onde desmaiou por conta da embriaguez e quebrou duas costelas na queda.
Após meses de isolamento social seguidos do impacto de seu vídeo sobre a adultização de crianças, ele afirmou que percebeu a necessidade de enfrentar o transtorno sem o uso de substâncias.
Projeto pessoal e palestras gratuitas em escolas
Ao final do depoimento, Felca anunciou o desafio “SimFel”. A iniciativa de três meses propõe que ele aceite oportunidades sociais, saia de casa e retome a convivência pública. Ele também confirmou a volta do projeto Sofá do Felca, focado em entrevistas gravadas em sua residência.
Como forma de ressignificar as dores do passado, o influenciador anunciou que fará palestras gratuitas em escolas para conscientizar crianças e adolescentes sobre os impactos do bullying na infância. Ele ressaltou, porém, que ainda não se sente preparado para retornar ao colégio onde estudou em Londrina.
“A nível pessoal, isso não faz toda a minha dor deixar de existir, mas faz ela ter sentido. É usando essa dor para aliviar a de outros”, concluiu.
ONDE BUSCAR AJUDA: Se você ou alguém que você conhece está passando por situações de violência, bullying ou necessita de apoio emocional, não hesite em procurar ajuda. Disque 100 (Direitos Humanos) ou ligue 188 para o CVV (Centro de Valorização da Vida), com atendimento gratuito e confidencial 24 horas. Você também pode acessar o portal new.safernet.org.br.





