A Polícia Civil descartou a hipótese de crime político ou de homofobia no ataque que resultou na morte do engenheiro e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha. A informação foi divulgada na quarta-feira (28) pelo Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 6 (Deinter 6), responsável pela investigação do caso.
Segundo a corporação, o grupo de oito suspeitos que espancou Marcelo no dia 24 de outubro estava envolvido em outros roubos na mesma madrugada. A vítima morreu em decorrência de um traumatismo cranioencefálico grave.
Marcelo participava de uma apresentação da Banda Esquerdantina, em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele se afastou do evento para ir ao banheiro, quando foi abordado e agredido pelo grupo de homens, que transmitiu o crime em uma live. A conta usada pelos criminosos foi banida pelo TikTok.
Em nota, a Polícia Civil informou que “elementos apontam que o grupo se envolveu em outras subtrações patrimoniais durante a mesma madrugada, circunstâncias que seguem sendo analisadas pela equipe responsável pelo caso”.
De acordo com as autoridades, as investigações buscam o completo esclarecimento dos fatos e a eventual identificação de outros participantes do crime. Até o momento, oito suspeitos foram identificados: dois maiores de idade, de 18 e 19 anos, e seis adolescentes: dois de 17 anos, três de 16 anos e um de 14 anos.
Dois dos adolescentes identificados, de 17 e 14 anos, foram apreendidos pela polícia.
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Caso segue em apuração
A Polícia Civil de São Paulo reforça que as diligências continuam para esclarecer todas as circunstâncias da morte de Marcelo de Oliveira Rocha e responsabilizar os envolvidos.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso é investigado como latrocínio, nome dado ao roubo seguido de morte. Policiais da unidade cumpriram o mandado de busca e apreensão de dois dos adolescentes, de 17 e 14 anos.
Investigação analisa imagens
Para identificar e localizar os agressores, os policiais analisam imagens de câmeras de monitoramento e de redes sociais do momento em que Marcelo foi abordado e agredido.
De acordo com a Prefeitura de Santos, não há câmeras municipais na via onde ocorreu o crime. No entanto, no domingo, com base em denúncia sobre as características dos suspeitos, o Centro de Controle Operacional (CCO) verificou câmeras do entorno e identificou imagens em que aparecem os indivíduos. O material já foi entregue às autoridades policiais.
As investigações são conduzidas pela Polícia Civil, e a Secretaria Municipal de Segurança (Seseg) presta todo o suporte solicitado para ajudar na elucidação do caso.

Velório e sepultamento
Amigos e familiares se despediram de Marcelo na quarta-feira (28). O velório do engenheiro aconteceu no Cemitério Santana, conhecido como “Chora Menino”, no Imirim, Zona Norte de São Paulo. Já o sepultamento ocorreu no Cemitério Congonhas, no Jardim Marajoara, Zona Sul da capital.

Manifestações de solidariedade
Em nota nas redes sociais, a Banda Esquerdantina lamentou a violência, cobrou rapidez na apuração e a punição dos envolvidos. “Manifestamos nossa solidariedade à vítima e seus familiares, bem como nosso firme repúdio à homofobia”, afirmou o grupo.
Com isso, a associação atlética do campus Baixada Santista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde Marcelo cursava o mestrado em Ecologia Marinha, também se manifestou e expressou “enorme indignação”. Os estudantes cobraram apuração rigorosa e responsabilização dos autores.
Em seguida, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), emitiu uma nota oficial de repúdio, expressando sua solidariedade a Marcelo, seus familiares, amigos e colegas.
“A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) manifesta seu profundo repúdio à violência sofrida por Marcelo de Oliveira Rocha, estudante da instituição, brutalmente agredido na madrugada deste sábado (24/10), em Santos, no litoral paulista. Marcelo permanece hospitalizado, e seu estado de saúde é motivo de grande preocupação para toda a comunidade universitária. A Unifesp expressa sua solidariedade a Marcelo, seus familiares, amigos e colegas, com o desejo de sua recuperação. A gravidade do ocorrido exige a apuração rigorosa das circunstâncias e motivações da agressão, bem como a identificação e responsabilização dos envolvidos. Independentemente das motivações que venham a ser esclarecidas, a violência não pode ser naturalizada ou tolerada. O respeito à vida, à integridade das pessoas e ao direito à participação na vida pública constitui fundamento indispensável da convivência democrática.”, informou a nota.
A Unifesp suspendeu aulas do campus em luto por Marcelo de Oliveira na terça-feira (27).

Banda Esquerdantina emite nota oficial sobre o caso. Foto: Reprodução/Banda Esquerdantina
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