A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o Wegovy em comprimido no Brasil. A novidade traz a semaglutida oral para tratar obesidade e sobrepeso em condições específicas. No entanto, trocar a injeção pela dose por via oral não elimina os efeitos colaterais gastrointestinais provocados pela substância.
De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Rodrigo Barbosa, membro do corpo clínico dos hospitais Sírio-Libanês e Nove de Julho e CEO do Instituto Medicina em Foco, o princípio ativo segue o mesmo mecanismo biológico no organismo.
Como a semaglutida oral age no sistema digestivo
A substância atua diretamente nos receptores de GLP-1, responsáveis por controlar o apetite, a saciedade e a velocidade de digestão.
“A semaglutida atua nos receptores de GLP-1, que participam do controle do apetite, da saciedade e do esvaziamento gástrico. Por isso, mesmo em comprimidos, pode provocar náuseas, vômitos, sensação de estômago cheio e constipação intestinal”, explica o Dr. Rodrigo Barbosa.
O medicamento retarda o esvaziamento do estômago. Assim, o alimento permanece mais tempo no órgão para prolongar a saciedade. Esse processo, contudo, costuma gerar reações adversas frequentes:
- Náuseas e vômitos
- Sensação de empachamento (estômago pesado)
- Refluxo gastroesofágico
- Desconforto abdominal
Impactos no intestino e sinais de alerta
As alterações provocadas pelo tratamento também afetam a saúde digestiva. A menor ingestão de alimentos, as variações na hidratação e a diminuição da motilidade digestiva favorecem episódios de prisão de ventre.
O especialista ressalta que muitos pacientes passam a evacuar com menor frequência, mas reforça que certos sintomas exigem atendimento médico imediato:
“Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, distensão importante ou dificuldade para eliminar gases e fezes não devem ser considerados efeitos normais. Esses sintomas precisam de avaliação médica”, alerta o cirurgião.
Além disso, o uso da medicação requer atenção para complicações graves, como pancreatite e problemas na vesícula biliar, quadros associados a dores abdominais intensas e contínuas.
A versão oral é mais segura que a injeção?
A resposta clínica é não. Conforme aponta o Dr. Rodrigo, a via de administração não anula o impacto do fármaco no aparelho digestivo.
Embora a injeção e o Wegovy em comprimido apresentem variações de dosagem, absorção e frequência de uso, ambos desencadeiam reações semelhantes no estômago e no intestino.
Pacientes com histórico de gastroparesia, refluxo gastroesofágico severo ou constipação crônica demandam triagem clínica rigorosa antes de iniciar qualquer protocolo com a substância.
“A chegada do comprimido é um avanço porque oferece mais uma possibilidade de tratamento. Mas não significa que o medicamento possa ser utilizado sem acompanhamento. O estômago e o intestino continuam respondendo à ação da semaglutida, e os sinais do organismo precisam ser respeitados”, conclui o médico.





