A Polícia Civil de São Paulo desarticulou um esquema sofisticado de tráfico de drogas operado via WhatsApp na Baixada Santista. Conforme apurado pelo SBT, os criminosos usavam listas de transmissão no aplicativo de mensagens para vender entorpecentes e movimentava pagamentos por PIX e criptomoedas [dinheiro utilizado no ambiente virtual].
As investigações revelaram que a rede, batizada de “Corre Baixada”, funcionava há pelo menos cinco anos com uma estrutura bem organizada. As drogas eram entregues por motoboys em dois turnos diários (das 17h às 19h e das 19h às 23h).
A operação foi conduzida pela 2ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) do Deic e resultou na prisão de duas pessoas apontadas como líderes do esquema, na manhã desta quarta-feira (16). Outros suspeitos continuam sendo procurados pela polícia.
Como funcionava o delivery?
Segundo a polícia, o esquema funcionava como um delivery de entorpecentes. Diariamente, os responsáveis enviavam mensagens em listas de transmissão com os produtos disponíveis e orientações de pagamento. Minutos antes das entregas, o comprador recebia a chave Pix e podia escolher entre o primeiro ou o segundo período.
Cadastrados com apelidos, os motoboys definiam a ordem das entregas e traçavam rotas alternadas para evitar o rastreamento – por isso, não era possível marcar um horário fixo com os entregadores. Até o momento, no entanto, não foi identificado o local onde as drogas eram coletadas antes das entregas.
Denúncia
A investigação teve início após a denúncia de um pai que desconfiou da rotina do filho, de 21 anos, e decidiu agir. Ele percebeu uma movimentação frequente de motoboys na porta de casa e, preocupado, resolveu verificar o celular do jovem. No aparelho, encontrou a lista de transmissão usada pelo grupo para vender drogas.
Ao confrontar o filho, o rapaz confessou que fazia parte do grupo há cerca de cinco anos e que adquiria entorpecentes como maconha e pods [cigarros eletrônicos] com THC pelo esquema. O pai, então, procurou a polícia e repassou todas as informações aos investigadores, que passaram a monitorar as conversas no aplicativo e as movimentações suspeitas.
Investigação
Durante o rastreamento, os policiais descobriram que o cadastro no PicPay estava em nome de uma moradora da Ponta da Praia, em Santos. Entretanto, para os investigadores, ela era responsável por movimentar o dinheiro do grupo de forma a despistar a origem dos valores.
Já o número de telefone usado para gerenciar os pedidos no WhatsApp estava registrado em nome de outra mulher, que já possui antecedentes criminais por estelionato. A suspeita é de que ela atuava como “laranja” no esquema, emprestando seus dados para esconder a identidade dos líderes e dificultar o trabalho da polícia.
A equipe da 2ª Dise passou a monitorar movimentações em bairros nobres da cidade, onde identificou uma rotina intensa de motoboys nos horários das entregas. Além disso, veículos de luxo como uma moto Honda Hornet e um Mitsubishi Outlander foram flagrados sendo usados por integrantes da rede para circular entre os pontos de coleta e distribuição.

Prisão
Com base nas provas reunidas durante a investigação, a Justiça autorizou mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos. Na manhã desta quarta-feira (16), agentes da 2ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), do Deic, cumpriram a ordem judicial em um apartamento no bairro do Embaré, em Santos.
No local, os policiais encontraram grande quantidade de entorpecentes, incluindo 304g de haxixe, 414g de maconha, 606g de skunk e cigarros eletrônicos com óleo de THC. Também foram apreendidas três armas de fogo com numeração raspada, munições, notebooks, celulares, máquinas de cartão e utensílios usados para embalar e comercializar a droga.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), dois homens, de 31 e 33 anos, foram presos em flagrante por tráfico e associação para o tráfico de drogas. Eles foram levados à unidade policial e permanecem à disposição da Justiça enquanto as investigações avançam para identificar outros possíveis integrantes do esquema de delivery de entorpecentes.