A força-tarefa do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apreendeu cerca de R$ 1,8 milhão em dinheiro vivo, R$ 10 milhões em criptomoedas, relógios de luxo e pedras preciosas durante o cumprimento de mandados da Operação Ícaro, deflagrada nesta terça-feira (12).
A investigação apura um suposto esquema de pagamento de propinas em troca de facilitação no ressarcimento de créditos de ICMS-ST, com envolvimento de empresários e servidores da Secretaria da Fazenda do Estado.
Entre os alvos estão o dono da Ultrafarma e um diretor da Fast Shop, que foram presos, além de dois auditores fiscais — um deles, Artur Gomes da Silva Neto, também foi detido. Segundo o MP-SP, as empresas investigadas teriam repassado valores indevidos para obter vantagens tributárias junto ao fisco paulista.

Durante a coletiva de imprensa, o procurador-geral de justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa e os promotores Roberto Bodini, João Ricupero e Igor Volpato, comentaram sobre os desdobramentos da investigação.
“Agora vêm os movimentos seguintes para a apuração dos prejuízos aos cofres públicos”, disse o PGJ. “Nós pretendemos fazer um trabalho em conjunto com a Secretaria da Fazenda”, disse Ricupero.
“Nós conseguimos detectar e comprovar que houve o pagamento de valores ilícitos para funcionários públicos, que por sua vez facilitaram a obtenção de favores fiscais para essas empresas”, comentou Bodini.
“Tudo será especificado com a análise do material que foi objeto da busca e apreensão na data de hoje”, finalizou Volpato.

Dinheiro em espécie, criptoativos e esmeraldas
A maior parte dos valores foi localizada na residência do empresário Celso Éder Gonzaga de Araújo, apontado como operador financeiro do grupo. No local, os agentes encontraram R$ 1,2 milhão em espécie, além de US$ 10,7 mil e 1.590 euros. Também foram apreendidos aproximadamente R$ 200 mil em moedas digitais, diversos relógios de alto padrão e dois pacotes contendo esmeraldas cujo valor ainda será periciado.
Já com o auditor fiscal Marcelo de Almeida Gouveia, da Delegacia Regional Tributária de Osasco, foram localizados R$ 330 mil em dinheiro, US$ 10 mil e 600 euros, além de criptoativos avaliados em R$ 2 milhões. Inicialmente, os promotores haviam solicitado apenas mandado de busca e apreensão. No entanto, diante do montante encontrado, o Ministério Público requereu a prisão preventiva do servidor, o que foi autorizado pela Justiça paulista e executado ainda na manhã desta terça-feira.
Contadora também foi alvo
A contadora Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, apontada como colaboradora do esquema, foi surpreendida com R$ 73 mil e US$ 13 mil em dinheiro. Em outro endereço ainda não detalhado pelas autoridades, os agentes recolheram uma máquina de contar cédulas, evidência usualmente associada à manipulação frequente de grandes quantias.
Até o momento, o valor total apreendido ainda está sendo auditado. A redação não conseguiu localizar a defesa dos investigados, ficando aqui aberto para eventuais réplicas.