O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) investiga um empresário por utilizar postos de gasolina e lojas de conveniência para lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com a força-tarefa que também envolve a Polícia Federal e a Receita Federal, ele teria declarado patrimônio fictício de R$ 21,6 milhões, em 2018, por meio da empresa Strawberry Lojas de Conveniência.
Três endereços ligados ao empresário foram alvos de mandados de busca e apreensão durante a megaoperação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28) em oito estados. A ação mobilizou cerca de 1.400 agentes públicos e visa desarticular um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação bilionária no setor de combustíveis, com forte atuação da facção criminosa.

Segundo o MP-SP, o empresário criou empresas como a Empório Express e a Khadige Conveniência — posteriormente encerradas — com o objetivo de camuflar movimentações financeiras suspeitas. Investigações apontam que ele declarou à Receita Federal o recebimento de dividendos de postos dos quais não era sócio formalmente. O empresário é apontado como proprietário de pelo menos 17 postos de combustíveis.
Fraude bilionária e adulteração de combustíveis
A megaoperação teve como foco a desmontagem de uma engrenagem criminosa que movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em fraudes tributárias. A estimativa é que o grupo tenha sonegado tributos federais, estaduais e municipais por meio de empresas de fachada e operações fictícias na cadeia produtiva e distributiva de combustíveis.
A investigação revelou ainda que integrantes do PCC forçavam empresários a vender seus estabelecimentos, além de importarem metanol de forma irregular, utilizado na adulteração dos combustíveis comercializados.
As ações ocorreram simultaneamente em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O caso segue em investigação.