O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do governo na Câmara dos Deputados, afirmou nesta terça-feira (9) que as declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante manifestação no último domingo, 7, colocam o ex-ministro do governo Bolsonaro no campo da extrema-direita. Segundo o parlamentar, a fala de Tarcísio escancara um alinhamento político que torna inviável a votação da proposta de anistia a Jair Bolsonaro (PL).
“Ele atravessou um rubicão, caiu a máscara. Agora age como militante de extrema-direita, antidemocrática. Está ficando muito claro”, disse Lindbergh.
O parlamentar afirmou ainda que a fala do governador enfraquece qualquer ímpeto em torno da proposta de anistia: “Posso falar, não será pautado essa semana, e começa uma movimentação para enterrar. Seria um crime do parlamento.”
Tarcísio discursou ao lado de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, durante ato em comemoração ao 7 de setembro. Na manifestação, aliados pediam anistia “ampla e irrestrita”, e criticaram a ação penal contra Bolsonaro que tramita no Supremo Tribunal Federal. Na ocasião, o governador de São Paulo criticou a atuação da Justiça e classificou Moraes como um “tirano”.
Julgamento no STF será retomado nesta quarta
O julgamento da Ação Penal 2.668 no Supremo Tribunal Federal será retomado nesta quarta-feira (10), com início previsto para as 9h. Estão programadas as sustentações orais das defesas do general Augusto Heleno, do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, do ex-ministro da Casa Civil Walter Braga Netto e do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro.
Cada defesa terá até 60 minutos para se manifestar. A sessão deve se encerrar ao meio-dia, podendo ser prorrogada conforme a deliberação dos ministros.
A equipe de Bolsonaro, liderada pelos advogados Fabio Wajngarten e Daniel Bialski, deve focar na anulação da delação premiada de Mauro Cid, argumentando vícios jurídicos e cerceamento de defesa, especialmente diante dos prazos processuais. A estratégia busca fragilizar a validade das provas reunidas pela Procuradoria-Geral da República.
No mérito, a defesa tenta desvincular Bolsonaro da tentativa de golpe de Estado, argumentando que ele apenas exerceu prerrogativas constitucionais e que os atos atribuídos a ele seriam preparatórios — portanto, segundo a tese jurídica sustentada, não puníveis pelo Código Penal.