Durante a sessão do Supremo Tribunal Federal que condenou Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus pelos atos do 8 de Janeiro, o ministro Alexandre de Moraes brincou com o colega, Flávio Dino, ao prometer que o julgamento desta quinta-feira seria mais célere (veja a decisão aqui).
Segundo Moraes, ele não repetiria com Flávio Dino, torcedor do Botafogo, o que chamou de “maldade” ocorrida na véspera: perder boa parte da partida entre Corinthians e Athletico Paranaense, válida pelas quartas de final da Copa do Brasil.
“Prometo à Vossa Excelência que não farei com Vossa Excelência a maldade que me fizeram ontwem de fazer eu perder quase dois terços do jogo do Corinthians e o Atlético Paranaense. Eu cheguei em casa, já estava 2 a 0 — para minha felicidade — mas perdi aquele momento de felicidade dos dois gols”, afirmou Moraes.
Sessão foi encerrada às 23h após voto de 12 horas
Na quarta-feira (10), o julgamento se estendeu até perto das 23h após o voto do ministro Luiz Fux, que levou cerca de 12 horas para apresentar sua divergência em relação ao relator. Fux foi o único a absolver Bolsonaro e outros cinco réus de todos os crimes imputados pela Procuradoria-Geral da República. Ele votou pela condenação apenas do tenente-coronel Mauro Cid e do general Braga Netto, ambos pelo crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Em tom bem-humorado, Moraes ainda relembrou que fez o colega Flávio Dino vestir a camisa do Corinthians em uma visita ao estádio, ao lado dos filhos. “E para aqueles que não se recordam, eu fiz o ministro Flávio Dino vestir uma camisa do Corinthians na Arena, junto com os dois filhos, que são corinthianos”, comentou.
Dino respondeu em tom descontraído: “Isso. E a Dani [Daniela Lima, mulher de Dino], por conta dos filhos. Não foi por causa de Vossa Excelência, não. E torça para o Botafogo hoje, por favor”.
Bolsonaro condenado
O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu nesta quinta-feira (11) o julgamento da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e fixou pena de 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado. O entendimento foi consolidado após os votos das ministras Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, que acompanharam integralmente o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes. Moraes havia sugerido a mesma pena ainda no início da sessão, destacando a agravante pela liderança de organização criminosa e estabelecendo como regime inicial o fechado.
Apesar disso, o ministro aplicou atenuantes pela idade avançada de Bolsonaro. O voto também impôs 124 dias-multa, com valor atualizado para dois salários mínimos por dia, conforme sugestão do ministro Flávio Dino, igualmente favorável à condenação.
O ministro Luiz Fux optou por não se manifestar na dosimetria da pena, sob o argumento de que já havia votado pela absolvição de Bolsonaro no mérito da ação. Fux tem adotado a mesma postura em relação a outros réus nos quais também votou por absolver.
