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Imagens exclusivas mostram “quartel-general” dos suspeitos de matar ex-delegado, com churrasco e bebidas

Polícia afirma não ter dúvidas sobre envolvimento do crime organizado, mas diz que motivação ainda é desconhecida
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Os criminosos responsáveis pela morte do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, ficaram cerca de dez dias escondidos em uma casa em Praia Grande, na Baixada Santista, antes e depois da execução. A informação exclusiva foi revelada pelo repórter Fábio Diamante, do SBT, nesta quinta-feira (18).

A reportagem apurou que o imóvel funcionou como base de apoio e ponto de planejamento da emboscada. Segundo a Polícia Civil, no local os criminosos chegaram a realizar churrascos, consumiram bebidas alcoólicas e permaneceram de forma discreta, mas chamando a atenção de vizinhos pelo comportamento atípico.

A casa, de portão alto e construída há pouco mais de um ano na Rua Campos do Jordão, n°225, no bairro Jardim Imperador, fica a aproximadamente oito quilômetros do local onde o ex-delegado foi assassinado na última terça-feira (17). Para os investigadores, não há dúvida de que ela serviu como espécie de “quartel-general” do grupo (assista a seguir).

O que a polícia encontrou no imóvel?

A perícia realizada no imóvel encontrou garrafas, talheres, copos e restos de churrasco. Também foram coletadas cerca de 40 amostras de DNA, impressões digitais e embalagens de bebidas, incluindo cerveja, energético, suco e gelo, além de carne e pão (veja as imagens a seguir).

Ao repórter, moradores que preferiram não se identificar relataram que homens e mulheres eram vistos na porta, conversando, rindo e fumando maconha, em “movimentação agitada”. O bairro, por outro lado, fica em região tranquila.

Peritos usaram luz especial para identificar múltiplas impressões digitais em janelas e portas. Segundo os investigadores, o grupo articulou o atentado há cinco meses e permaneceu na residência por tempo suficiente para executá-la. A polícia encontrou o imóvel após o depoimento da suspeita Dahesly Oliveira Pires, de 25 anos, na quarta-feira (17).

Qual foi a motivação do crime?

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrit, afirmou que as investigações não deixam dúvidas sobre a participação do crime organizado. O que resta é definir se a execução foi motivada pelo histórico de combate ao PCC ou pela sua atuação na Prefeitura de Praia Grande.

Fontes era reconhecido por enfrentar duramente facções criminosas e participou de operações que atingiram diretamente o PCC. Sua atuação ganhou notoriedade pelo impacto dessas ações na segurança local e pelo enfrentamento direto a criminosos de alto risco.

A polícia também não descarta a participação de criminosos ligados ao chamado Novo Cangaço, especialistas em ataques a bancos e carros-fortes em cidades pequenas. Nomes de integrantes desse grupo já estão sendo investigados.

Três suspeitos de envolvimento na execução do ex-delegado geral da Polícia Civil seguem foragidos – Foto: Polícia Civil

Veja quem são os suspeitos

Felipe Avelino da Silva, de 28 anos, conhecido como “Masquerano”, é apontado como um dos principais suspeitos de envolvimento direto na execução. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ele possui antecedentes por roubo e tráfico de drogas e teria função de disciplina dentro do PCC na região do ABC Paulista. A polícia o considera foragido.

Flávio Henrique Ferreira de Souza, de 24 anos, também está foragido. De acordo com a SSP, ele teria atuado ao lado de Felipe na ação que resultou na morte do delegado. Os dois aparecem juntos em imagens divulgadas pela polícia. No entanto, o papel exato de Flávio no crime ainda está sob investigação.

Luiz Antonio Rodrigues de Miranda teve a prisão temporária decretada e também está sendo procurado. A investigação aponta que ele teria ordenado que uma das armas utilizadas no crime fosse levada de Diadema a Praia Grande por Dahesly Oliveira Pires (veja a seguir), a única suspeita presa até o momento.

Transporte do fuzil usado no assassinato liga suspeita ao crime

A quarta suspeita, Dahesly, foi presa temporariamente na madrugada desta quinta-feira (18), após avanço nas investigações do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Em nota, a Polícia Civil informou que ela teria sido responsável por transportar um fuzil usado na execução do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes.

Dahesly teria levado o armamento da residência, na Baixada Santista, até a região do ABC Paulista, onde entregou a arma a outro integrante do grupo criminoso. Nas investigações, foram encontrados no celular da suspeita fotos do fuzil – registros que reforçam sua participação na logística do crime. A Justiça acatou o pedido de prisão temporária.

Em coletiva, o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, destacou a importância da prisão. “É uma questão de honra para nós realizar a prisão de todos os que participaram desse terrível crime contra o delegado. Apesar de aposentado, ele foi um dos delegados que mais enfrentaram de frente o crime organizado”.

Relembre como aconteceu a execução do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes

Imagens de câmeras de monitoramento mostram o momento em que um veículo ocupado por pelo menos quatro criminosos estaciona próximo à Secretaria de Educação, na Rua 18 de Novembro, às 18h02. Quatorze minutos depois, o carro dirigido por Fontes se aproxima e é imediatamente alvejado, iniciando uma perseguição. Ele foge em direção à Rua 1º de Janeiro.

Durante a fuga, o carro conduzido pelo ex-delegado colide com dois ônibus e capota na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas. Após o acidente, três homens mascarados descem do veículo e cercam o carro capotado, enquanto um quarto fica na retaguarda para dar cobertura. Armados com fuzis de uso restrito, os suspeitos iniciam o ataque contra a vítima.

O ataque foi realizado à queima-roupa, com os criminosos disparando diversas vezes contra a vítima. De acordo com o registro policial, Fontes foi atingido por mais de 20 disparos, principalmente nos braços, pernas e abdômen. “Foi uma execução com um objetivo claro: eliminar a vítima rapidamente”, disse o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian. Clique aqui para entender a dinâmica do crime.

Repórter mostra ponto de início da perseguição contra ex-delegado; assista


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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