O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ironizou nesta segunda-feira (22) o treinamento militar de civis realizado pelo governo da Venezuela. Em vídeo publicado na rede social Truthsocial, o republicano debochou da ação conduzida pela Milícia Nacional Bolivariana, que vinha sendo incentivada por Nicolás Maduro como resposta à presença militar norte-americana no sul do Caribe.
“ULTRASSECRETO: Pegamos a Milícia Venezuelana em treinamento. Uma ameaça muito séria!”, escreveu Trump, em tom sarcástico.
A publicação ocorre em um momento de escalada nas tensões entre Washington e Caracas. Nos últimos dias, ao menos sete navios de guerra dos EUA foram enviados à região, incluindo um esquadrão anfíbio, um submarino nuclear e cerca de 4.500 militares. Aeronaves de espionagem P-8 também realizaram sobrevoos em águas internacionais próximas ao território venezuelano.
O governo da venezuela não confirmou publicamente a origem do vídeo, porém imagens da Agência Reuters mostram um treinamento de civis semelhantes aos do vídeo.
Reação venezuelana e mobilização militar
No sábado (20), a Venezuela organizou ações de defesa em diversos pontos de Caracas. Civis foram convocados para simulações de combate, sob supervisão do ministro do Interior, Diosdado Cabello. Imagens divulgadas pela agência Reuters mostram homens e mulheres armados, marchando em ruas da capital e em quadras esportivas adaptadas como campos de treinamento. A iniciativa foi classificada por Maduro como medida preventiva contra uma eventual incursão militar estrangeira.
Além de mobilizar milicianos e Forças Armadas, o governo venezuelano tem reforçado a retórica de que o país sofre ameaças constantes de ingerência externa.
Justificativas dos EUA e sinalizações de ataque
A operação norte-americana no Caribe se apoia na acusação de que Maduro lideraria o suposto “Cartel de los Soles”, considerado pelo Departamento de Justiça dos EUA uma organização criminosa e terrorista. O governo Trump oferece US$ 50 milhões por informações que levem à prisão do presidente venezuelano, tratado oficialmente como fugitivo da Justiça norte-americana.
Consultada pela imprensa, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou em agosto que os EUA utilizarão “toda a força” necessária para lidar com a situação, embora tenha evitado comentar os objetivos militares da operação. Reportagem do site Axios revelou que Trump teria solicitado um “menu de opções” sobre a Venezuela. Autoridades norte-americanas ouvidas sob anonimato não descartam, inclusive, a hipótese de uma invasão.
Embora tenha evitado responder se autorizaria um ataque direto, Trump já deu sinal verde para que militares atirem em caso de ameaças diretas por parte de caças venezuelanos.
Cenário permanece volátil
Enquanto a retórica bélica se intensifica, as movimentações estratégicas no Caribe sinalizam um impasse duradouro. A Venezuela segue investindo em mobilizações internas, com presença ostensiva de milicianos em centros urbanos. Do outro lado, os EUA mantêm sua frota na região sob o argumento de combate ao narcotráfico e contenção de ameaças.
Até o momento, não há confirmação oficial de uma ofensiva iminente.