O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou nesta quinta-feira (2) que o Brasil contabiliza 12 casos confirmados de intoxicação por metanol.
O número inclui 11 confirmações laboratoriais e o caso do rapper Hungria, que, embora ainda não registrado oficialmente pelo Cievs de Brasília, já teve a presença da substância detectada pela equipe do Ministério da Saúde que acompanha sua internação.
Segundo Padilha, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde notificou até o momento 59 ocorrências entre suspeitas e confirmações. “Embora não esteja como confirmado aqui nos dados, já podemos afirmar pela nossa equipe que acompanha a internação. Logo, são 12 confirmados”, afirmou o ministro.
Monitoramento em tempo real
Para enfrentar o cenário, o Ministério da Saúde instalou uma sala de situação para monitorar os casos em tempo real e orientar estados e municípios sobre protocolos de atendimento. Padilha também reforçou a nota técnica publicada pela Anvisa que traz orientações para notificação e condução dos casos de intoxicação por metanol após consumo de bebida alcoólica.
O documento explica que o metanol é um solvente altamente tóxico, cuja biotransformação hepática gera formaldeído e ácido fórmico, substâncias responsáveis pela toxicidade. A intoxicação pode ocorrer por ingestão, inalação ou absorção cutânea. Os casos são de notificação compulsória, mas não imediata.
Entre agosto e setembro, o estado de São Paulo registrou aumento de notificações após ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas, situação classificada como Evento de Saúde Pública (ESP).
Tratamento específico
A nota técnica orienta os serviços de saúde sobre a condução adequada dos casos, incluindo o uso do etanol como antídoto, necessário para prevenir a formação de ácido fórmico e reduzir o risco de acidose grave e insuficiência renal. O documento também recomenda medidas complementares:
- Ácido folínico: 30 mg IV a cada 6h por 48h
- Correção da acidose metabólica: bicarbonato de sódio IV, conforme gasometria
- Controle de convulsões: benzodiazepínicos (1ª linha) e barbitúricos (2ª linha se refratárias)
- Hemodiálise: indicada em casos graves, incluindo:
o Nível sérico de metanol > 500 mg/L
o Acidose metabólica severa
o Alterações visuais ou neurológicas (coma/convulsões)
o Insuficiência renal aguda
Informações adicionais podem ser obtidas no Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), disponível pelo endereço eletrônico https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/animaispeconhentos/ciatox, ou pelo número gratuito do serviço Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001.