Mais de 300 voluntários participaram, no último sábado (20), de ações de limpeza em Santos durante o World Cleanup Day. A mobilização foi realizada pelo Instituto Supereco e pelo Projeto Tecendo as Águas, Serra, Terra e Mar – uma iniciativa do Instituto em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
Um dos mutirões foi realizado pela manhã, na Praia do Gonzaga, onde o Instituto Supereco liderou um dos pontos de coleta em parceria com voluntários da Petrobras, Projeto Albatroz, ETEC Escolástica Rosa, Composta & Cultiva, Unimar e Rotary Club.
Foram retirados da areia mais de 53 quilos de resíduos com ênfase nos microlixos e, mais uma vez, os microplásticos e as bitucas de cigarro se destacaram na coleta: foram 17,880 kg de plásticos e 1.646 bitucas. O restante da pesagem foi dividido entre isopor ( 0,44 kg); madeira (0,30 kg); metal (0,67); vidro (0,48 kg); orgânicos (11,08) e outros resíduos (21,96 kg).
Já no manguezal do bairro Jardim São Manoel, a ação foi liderada pelo Instituto Nova Maré e teve o apoio do Instituto Supereco e da Santos Brasil, sendo retirados 1.463 kg de resíduos.
A presidente do Instituto Supereco e diretora técnica do Projeto Tecendo as Águas, Andrée de Ridder Vieira, ressaltou que o World Cleanup Day é uma data histórica.
“Ela une gente do mundo todo para pensar nesses resíduos fora do lugar. A maior parte dos resíduos que são encontrados no Oceano não é produzida somente na praia e chega até aqui por diversos caminhos. Isso impacta significativamente a biodiversidade marinha e a saúde das pessoas. Então, o Cleanup Day, mais do que uma ação de coleta, é uma vivência real do impacto de tudo o que a gente produz, consome e a forma como descartamos”, avaliou.
Para Paula Romano, coordenadora geral do projeto Mantas do Brasil, as quantidades de resíduos retirados nesses mutirões, em apenas um dia, deixam clara a urgência de medidas globais para lidar com o problema do descarte irregular. “Estamos vendo a olhos nus a concentração enorme de plásticos. E no caso do nosso projeto, que trabalha com a preservação das raias Mantas e dos animais marinhos, usamos esses dados assustadores para chamarmos a atenção de toda a sociedade sobre o quanto o lixo afeta esse habitat”.
Tatiana Neves, coordenadora geral do Projeto Albatroz, acredita que é preciso repensar a forma como os produtos são consumidos. “O plástico é importante para a sociedade, mas muitas vezes a gente usa de maneira errada. Precisamos repensar, principalmente, o consumo de plásticos de uso único, que muitas vezes usamos por minutos, como copos plásticos, mexedores de café, canudinhos, e outros”, detalhou.
Balanço do World Cleanup Day
No balanço geral da prefeitura, foram contabilizadas 46 toneladas de resíduos removidos da praia e manguezais. Ainda segundo o órgão, as ações contaram com mais de 170 instituições dos setores público, privado e civil da Baixada Santista e centenas de voluntários. A estrutura para realizar os mutirões incluiu a disponibilização de tendas, distribuição de água e de ecopeneiras para coleta de resíduos da areia.
A presença de jovens no mutirão foi grande, entre eles, Rayssa Silva dos Santos, de 23 anos, e Julia Ramos, de 21 anos, que fazem parte do coletivo Jovem Albatroz. Para elas, a maior motivação para participarem deste dia é a necessidade da conservação do meio ambiente. “Eu acho que esse mutirão chama a atenção das pessoas, até de quem não está participando, mas está na praia e vê as pessoas recolhendo resíduos que não deveriam estar aqui. Acho que traz um senso da importância de preservar as praias e de descartar de forma correta”, pontuou Julia.
Fábio Tatsubo, diretor do Departamento de Política Pública dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura, explicou que todo o resíduo coletado durante as ações têm destinação correta ao final do evento. “Toda a cadeia produtiva está aqui, então o que é servível é enviado às cooperativas e o que não tem mais serventia, vai para o aterro sanitário, infelizmente”.