Manter raízes vivas e fortalecer a cultura que moldou gerações de famílias: este é o propósito da Società Italiana di Santos. Fundada em 1897 sob o nome original de Società di Beneficenza Italiana, a associação nasceu com a missão urgente de prestar assistência aos compatriotas que desembarcavam no Brasil em busca de novas oportunidades.

Foto: Divulgação: Società Italiana di Santos
A data de 21 de fevereiro marca o Dia do Imigrante Italiano, instituída em memória à chegada do navio La Sofia, em 1874. O marco deu início a um fluxo migratório intenso; entre 1880 e 1929, mais de 1,1 milhão de italianos cruzaram o oceano fugindo de crises econômicas na Europa. Ao chegarem, encontravam no porto de Santos um cenário desafiador, onde o apoio de imigrantes já estabelecidos era fundamental para a integração.
Impacto no desenvolvimento regional
A chegada massiva de estrangeiros transformou o litoral e o interior de São Paulo. Além de suprir a demanda por mão de obra na cultura do café, os italianos foram peças-chave no início da industrialização brasileira, trazendo o know-how técnico e o “modus operandi” fabril da Europa.
Para Márcia Frezza, presidente da Società Italiana di Santos, a influência vai além da economia. “Os italianos contribuíram para o desenvolvimento de Santos no comércio e na arquitetura. Hoje, ainda encontramos diversos monumentos espalhados por toda a cidade que contam essa história”, explica.
“Viva o Imigrante Italiano que com a sua coragem e determinação deram uma nova identidade à nação brasileira”.
Um pedaço da Itália em Santos
Atualmente, a Società Italiana di Santos funciona como uma associação sem fins lucrativos focada no acolhimento e na união familiar. Mais do que um centro administrativo, a sede é um ponto de encontro para amigos e descendentes. “A Società convida todos para uma visita à nossa sede, permitindo que conheçam um ‘cantinho da Itália’ em Santos”, reforça Márcia Frezza.

A trajetória de Márcia, inclusive, reflete a profundidade desse vínculo. Neta e bisneta de imigrantes, ela se mudou para a Itália no final dos anos 80, onde se casou e formou uma família. Após 20 anos em terras europeias, retornou ao Brasil e hoje faz da associação santista o seu lar e o local onde revive suas lembranças.
“Morei na Lombardia por duas décadas, na cidade de Crema, província de Cremona, onde ainda conservo muitos amigos e familiares para os quais volto sempre que a nostalgia bate forte”, conta. Para ela, o trabalho na Società é uma extensão de sua própria identidade.
“Minhas raízes sou eu toda. Não consigo me ver de outro modo que não seja sendo e agindo como uma italiana no meu dia a dia”, conclui.