Um tsunami meteorológico atingiu o litoral sul de Santa Catarina na manhã de segunda-feira (21), provocando uma elevação rápida do nível do mar em Jaguaruna, Laguna e Imbituba. O fenômeno ocorreu durante um período de instabilidade atmosférica e foi confirmado após a análise das condições registradas na região.
O que é um tsunami meteorológico
O tsunami meteorológico, também chamado de meteotsunami, provoca uma mudança rápida no nível do mar por causa de condições atmosféricas específicas. O fenômeno não depende de terremotos ou de movimentos no fundo do oceano.
Segundo Alexandra Sampaio, coordenadora do Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas da Universidade Santa Cecília (Unisanta), em entrevista à VTV News, o fenômeno envolve oscilações repentinas no nível do mar.
“São oscilações repentinas no nível do mar semelhantes aos tsunamis tradicionais, com variações do período de ondas que podem ir de minutos a várias horas.”
A especialista explica que a origem diferencia o meteotsunami dos eventos provocados por terremotos. “Diferente dos tsunamis convencionais, causados por abalos sísmicos ou terremotos no leito marinho, os meteotsunamis são provocados por distúrbios e instabilidades atmosféricas em movimento.”
Como o fenômeno se forma
Rajadas intensas de vento, tempestades severas, frentes frias e ondas de gravidade atmosféricas podem transferir energia para a superfície do oceano. Essa interação pode aumentar a oscilação da água durante a aproximação da costa.
Em determinadas condições, ocorre ressonância entre a perturbação atmosférica e a onda no mar. Esse processo amplia a oscilação e pode provocar uma mudança rápida do nível da água.
A Defesa Civil de Santa Catarina registrou rajadas entre 60 e 90 km/h durante a ocorrência no litoral. O fenômeno também esteve associado à passagem de uma linha de instabilidade.
Por que o tsunami meteorológico é raro
A formação depende da combinação de fatores atmosféricos e oceanográficos. Por isso, uma tempestade forte não significa necessariamente que haverá um meteotsunami.
A especialista também explica que a ocorrência não se limita ao Sul do país.
“Embora sejam muito registrados no Hemisfério Norte, os registros no Atlântico Sul são menores. No Brasil, a Região Sul é a mais propícia devido à proximidade com áreas de formação de ciclones e grandes tempestades.”
Quais cidades de Santa Catarina foram atingidas
O avanço da água foi registrado em Jaguaruna, Laguna e Imbituba. O episódio provocou alagamentos, entrada de areia em vias e danos em estruturas próximas ao litoral.
Em Laguna, no Farol de Santa Marta, pequenas embarcações foram arrastadas pela força da água. Em Jaguaruna, a água atingiu ruas e imóveis.
As equipes municipais da Defesa Civil iniciaram o levantamento dos prejuízos depois da ocorrência.
Tsunami meteorológico pode atingir São Paulo?
O fenômeno também pode ocorrer no litoral paulista, embora os registros sejam menos frequentes. A ocorrência depende da combinação entre as condições atmosféricas, marítimas e as características da costa.
Alexandra Sampaio afirma que o fenômeno pode ser confundido com outros eventos do litoral.
“No Sudeste, essas oscilações repentinas do nível do mar podem apresentar magnitudes variadas e muitas vezes são confundidas com ondas de ressaca.”
O Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas da Unisanta analisa cerca de dez anos de dados do nível do mar em Santos. O objetivo é identificar a frequência e as características de eventos registrados na Baixada Santista.
Segundo a especialista, as variações podem alcançar diferentes magnitudes.
“A variação na altura das ondas pode ir de dezenas de centímetros até mais de um metro.”
O acompanhamento de marégrafos, dados meteorológicos e modelos de previsão ajuda pesquisadores a identificar mudanças no nível do mar. A população também deve acompanhar os avisos emitidos pela Defesa Civil e pelos órgãos oficiais de meteorologia.
O episódio registrado em Santa Catarina mostra a relação entre alterações atmosféricas e mudanças rápidas no comportamento do oceano. O monitoramento desses dados permite acompanhar as condições do litoral e identificar situações de risco.
Formada em Jornalismo pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e atua na imprensa desde 2021 como repórter de cotidiano, comportamento e variedades. Produz conteúdos voltados ao dia a dia da população, com foco em informação acessível e de interesse regional.