O que você faria se encontrasse um tubarão nadando na praia? É difícil de responder, já que o animal carrega fama de perigoso devido ao tamanho e aparência. No entanto, para o biólogo e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Otto Bismarck Gadig, a situação não indica, necessariamente, risco, mas exige atenção.
O questionamento tomou conta das redes sociais após o flagra de um tubarão a poucos metros da faixa de areia na Praia das Astúrias, em Guarujá, no litoral de São Paulo. O animal nadava em águas rasas e, depois, seguiu para alto-mar, sem deixar feridos. O caso foi registrado em vídeo e repercutiu no último sábado (11).
A pedido do VTV News, o profissional analisou as imagens, mas afirmou que não é possível identificar com precisão a espécie(veja abaixo). Ainda assim, algumas características permitem levantar hipóteses e, para ele, há forte possibilidade de se tratar de um tubarão-martelo, comum na costa paulista durante o verão.
Por que o tubarão apareceu e quais os riscos?
O tubarão-martelo é um grupo de espécies reconhecido pelo formato achatado e alongado da cabeça, que lembra um martelo. Essa característica amplia o campo de visão e melhora a capacidade de detectar presas no fundo do mar. São animais que podem atingir grande porte e habitam águas costeiras e oceânicas.
Para Gadig, a aproximação do animal à faixa de areia pode estar relacionada à busca por alimento, desorientação ou influência de fatores ambientais. Apesar disso, ele reforça que não há motivo para alarme. “Não é uma espécie conhecida em nível mundial por atacar pessoas e, até segunda ordem, não representa perigo”, explicou.
O biólogo também chama atenção para outros riscos mais frequentes no mar, como afogamentos em correntes de retorno, que representam perigo maior aos banhistas. Mas, atenção: não está descartada a possibilidade do animal rondar a região e, portanto, diante do avistamento, a orientação é evitar reações bruscas dentro da água.
Mais dicas:
- Saia da água lentamente, de preferência de costas e em direção à areia;
- Evite nadar rápido ou se debater, para não atrair o animal;
- Respeite sinalizações e orientações de guarda-vidas;
- Não entre no mar em locais com aviso de risco ou baixa visibilidade;
- Evite nadar ao amanhecer ou entardecer, quando tubarões são mais ativos.
Em caso de dúvida ou sensação de insegurança, a orientação é não entrar na água e respeitar autoridades!

O caso
Segundo o autor do vídeo, o empresário Marcelo Tadeu, o registro foi feito no Canto das Galhetas. Ele relatou ter visto o animal pela primeira vez na última quarta-feira (8), da sacada de casa, no Morro da Caixa D’Água. Já na segunda aparição, havia acabado de sair do mar após cerca de três horas de surfe.
Tadeu ainda disse que ficou preocupado com a presença de crianças no local, mas destacou que o animal permaneceu por pouco tempo e seguiu para alto-mar. A Prefeitura de Guarujá e o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) informaram, em nota, que não houve registro de ocorrências relacionadas ao caso.