A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou a ampliação da cobertura do exame de mamografia digital sem restrição de idade nos planos de saúde. A nova regra entra em vigor no dia 1º de outubro em todo o Brasil. A decisão atende a uma demanda histórica de entidades como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). O objetivo principal é garantir o diagnóstico precoce do câncer de mama e eliminar de vez as negativas de atendimento por faixa etária.
O que muda na cobertura da mamografia digital nos convênios?
Anteriormente, a Diretriz de Utilização nº 52 (DUT 52) limitava a obrigatoriedade da mamografia digital apenas para mulheres entre 40 e 69 anos. Com a exclusão dessa trava no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, as operadoras passam a cobrir o procedimento em qualquer faixa etária, desde que exista indicação médica.
A mudança beneficia diretamente grupos que enfrentavam barreiras para realizar o exame de mamografia:
- Pacientes jovens (menos de 40 anos): Mulheres com alto risco por histórico familiar de câncer ou que apresentem alterações em exames clínicos que exigem confirmação diagnóstica.
- Mulheres idosas (mais de 70 anos): Pacientes que necessitam continuar o rastreamento preventivo ou a investigação de suspeitas.
Como ocorreu a decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar?
A revisão da norma ganhou força entre junho e julho deste ano com a Consulta Pública nº 173. A iniciativa partiu de discussões na Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde).
No dia 25 de agosto, em reunião com entidades médicas, a ANS oficializou a retirada da diretriz restritiva. A mastologista Thais Paiva Moraes, representante da SBM, destacou que a medida alinha a obrigatoriedade dos convênios médicos à prática clínica real. Com isso, o setor reduz os ruídos administrativos que antes atrasavam o início do tratamento.
Fim das cobranças extras e impacto no diagnóstico do câncer de mama
A restrição por idade gerava gargalos operacionais e custos desnecessários para os usuários. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que 99,75% dos mamógrafos avaliados no País são modernos e digitais. Sem a cobertura obrigatória fora do intervalo de 40 a 69 anos, muitas mulheres precisavam pagar pelo procedimento do próprio bolso.
A liberação para mulheres acima de 70 anos atende a um alerta grave de saúde pública. Levantamento do DATASUS aponta que, entre 2015 e 2024, o Brasil registrou 162.471 casos de câncer de mama em idosas, com 93.852 mortes no período.
Com o fim do limite de idade, especialistas projetam maior agilidade na detecção precoce do câncer de mama, o que amplia significativamente as chances de cura.





