Nesta segunda-feira (29), quando se celebra o Dia Nacional do Coração, o Hospital PUC-Campinas anuncia uma importante conquista para a saúde regional: a instituição é o mais novo centro habilitado para transplante cardíaco em Campinas e região.
A habilitação ocorre durante o Setembro Verde, campanha nacional de conscientização sobre a doação de órgãos, e representa um marco para a ampliação do acesso da população a procedimentos de alta complexidade. A novidade fortalece a rede pública e privada de atenção à saúde e posiciona Campinas como referência nacional no setor.
Segundo a cardiologista Luana Monferdini, a habilitação do hospital “descentraliza os procedimentos, evita deslocamentos para centros como São Paulo, reduz o tempo de espera e melhora os resultados clínicos. É um avanço que impacta positivamente toda a rede assistencial”.
O primeiro transplante cardíaco no Hospital PUC-Campinas foi realizado em 13 de agosto de 2025, em um paciente de 52 anos, portador de doença de Chagas, que aguardava há cinco meses na fila. O paciente recebeu alta em apenas 21 dias, demonstrando a qualidade e eficiência da equipe. A cirurgia foi coordenada pelo cirurgião cardíaco Gustavo Calado de Aguiar Ribeiro e teve duração de aproximadamente 2h30.
“Nosso objetivo inicial é realizar cerca de 12 transplantes neste primeiro ano, sempre com foco na qualidade. A meta é consolidar o hospital como centro de referência, com grande volume de transplantes e resultados de excelência”, afirma o cardiologista Maurício Marson, coordenador médico do Serviço de Cardiologia.
Para a implantação do Serviço de Transplante Cardíaco, foi mobilizada uma ampla equipe multiprofissional, envolvendo profissionais das áreas de enfermagem, fisioterapia, nutrição, psicologia, entre outras. A diretora de enfermagem, Eliana Bergamin, destaca a importância da integração e preparo das equipes.
Já o superintendente do Hospital, Aguinaldo Pereira Catanoce, ressalta que o novo serviço reflete o compromisso da instituição com a inovação e a excelência assistencial:
“Investimos em tecnologia de ponta desde equipamentos de monitoramento avançado até protocolos de assistência digital, garantindo precisão cirúrgica e segurança ao paciente. Essa estrutura permite integrar equipes multidisciplinares em tempo real, ampliando a eficiência do cuidado”, explica.
Transplante cardíaco no Brasil
A fila para transplante cardíaco no Brasil é única, ou seja, não há distinção entre pacientes do SUS e da rede privada. Todos os candidatos que atendem aos critérios clínicos são avaliados conforme diretrizes nacionais, o que garante equidade e transparência no processo.
A insuficiência cardíaca é o estágio final de grande parte das doenças do coração. Cerca de 10% dos pacientes evoluem para o estágio terminal, necessitando de terapias como o transplante. Embora o Brasil registre uma necessidade estimada de 1,7 mil transplantes cardíacos por ano, em 2024 foram realizados apenas 438 procedimentos, número que representa menos da metade da demanda.