Um gravador escondido em uma mochila escolar registrou falas violentas e ameaças dirigidas a crianças em uma creche municipal de Socorro (SP). O conteúdo dos áudios, obtido pelo VTVNews, motivou investigação da Polícia Civil e a abertura de um processo administrativo disciplinar por parte da prefeitura. As funcionárias citadas nos registros permanecem afastadas.
- Os áudios revelam xingamentos, palavrões e frases como “vai tomar uma pancada na cabeça”, além de risos e ameaças envolvendo uso de cintos.
- Uma das gravações mostra uma funcionária referindo-se a uma mãe como “uma tranqueira” e a uma aluna como “encardida”.
- Em outra passagem, uma das profissionais diz: “Não vai aprender mesmo”, enquanto uma criança chora.
A denúncia foi formalizada à Polícia Civil em novembro de 2025. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), onze mães de crianças com idades entre dois e três anos já prestaram depoimento e entregaram fotografias que indicariam marcas físicas nas crianças. De acordo com a SSP, as investigadas serão ouvidas para apresentar sua versão dos fatos.
Início das suspeitas
A investigação teve início após relato das próprias crianças sobre resistência em ir à creche. Segundo os responsáveis, os alunos passaram a demonstrar aversão à escola e voltavam para casa com arranhões e hematomas.
Uma das mães, Mayara, contou que o filho de três anos, deixou de querer frequentar as aulas em menos de um mês após ser matriculado. A desconfiança aumentou quando, ao ser orientado a brincar com o boneco simulando a rotina na creche, o menino encenou ações agressivas, interpretadas pela família como reprodução do que vivia na escola.

A prefeitura confirmou que as profissionais citadas atuavam na creche Jandira Ferreira de Andrade. A Prefeitura de Socorro afirma ter instaurado processo administrativo desde que os fatos chegaram ao conhecimento da gestão. As servidoras permanecem afastadas de suas funções durante a tramitação do processo disciplinar.
Prorrogação da apuração interna
A Prefeitura confirmou em nota oficial que prorrogou por mais 60 dias o prazo do processo administrativo, a fim de garantir apuração técnica, ampla e minuciosa. O comunicado esclarece que o procedimento é de natureza funcional e não interfere em eventuais responsabilidades cíveis ou criminais, que seguem sob responsabilidade da Justiça e do Ministério Público.
O afastamento das profissionais também foi estendido pelo mesmo período. As servidoras seguem fora das salas de aula enquanto a investigação da conduta funcional segue em andamento.
A gestão municipal declarou que acompanha os desdobramentos e que prestará todas as informações necessárias aos órgãos competentes. A Secretaria de Educação do município foi notificada e atua em conjunto com o setor jurídico da prefeitura.