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Servidores da Unicamp entram em greve contra mudança de gestão na área da saúde

Conselho Universitário (Consu), que deve analisar nesta terça-feira (16) o projeto de transformação do complexo de saúde em uma autarquia
Servidores da Unicamp entram em greve contra mudança de gestão na área da saúde

Funcionários da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas (SP), iniciaram uma greve contra a proposta de mudança no modelo de gestão da área da saúde da universidade. As manifestações começaram na segunda-feira (15) e devem continuar nesta terça-feira (16), com um ato em frente ao Conselho Universitário (Consu), que deve analisar o projeto de transformação do complexo de saúde em uma autarquia.

manifestantes servidores da unicamp
Imagem manifestantes – reprodução: arquivo pessoal/ redes sociais

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), os servidores estão organizando revezamentos nas unidades hospitalares para garantir a manutenção dos atendimentos essenciais, conforme determina a legislação.

Para o sindicato, a criação de uma autarquia pode resultar em prejuízos à qualidade do atendimento e às condições de trabalho. Em nota, o STU reforçou que a mobilização busca manter o complexo de saúde da universidade totalmente integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A paralisação foi aprovada em assembleia realizada no dia 11 de dezembro e tem duração prevista de 48 horas. Após a votação da proposta pelo Consu, o comando de greve deve avaliar os próximos passos do movimento.

De acordo com o sindicato, os setores mais impactados pela paralisação são os ambulatórios e as cirurgias eletivas. Já o Hospital de Clínicas (HC) informou que os atendimentos eletivos e de urgência seguem normalmente. O Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) declarou que a enfermagem foi a área mais afetada e que a adesão aos atos deve aumentar nesta terça-feira, em razão da votação.

A Reitoria da Unicamp afirmou que não há paralisação geral das atividades acadêmicas e administrativas e declarou, em nota, que respeita as diferentes formas de manifestação.

Projeto de autarquização

A proposta que prevê a autarquização da área da saúde da Unicamp será apreciada pelo Conselho Universitário nesta terça-feira (16). Caso seja aprovada, o projeto seguirá para análise do Governo do Estado de São Paulo e, posteriormente, deverá ser votado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

O texto do projeto está baseado em seis princípios. Entre eles, estão a exigência de que a mudança seja formalizada por Projeto de Lei Complementar, a preservação integral dos direitos dos trabalhadores atuais, a garantia de atendimento 100% pelo SUS, a indicação da gestão da nova autarquia pela própria Unicamp, a ampliação das atividades acadêmicas e a manutenção do orçamento da universidade sem impactos financeiros.

A discussão sobre a mudança no modelo de gestão teve início em setembro, após o governo estadual sinalizar a possibilidade de assumir o orçamento da área da saúde. A partir disso, foi criado um Grupo de Trabalho (GT) responsável pela elaboração da proposta, seguido por um ciclo de consultas à comunidade universitária, envolvendo docentes, servidores, estudantes e representantes sindicais.

O diretor executivo da Área da Saúde da Unicamp, professor Luiz Carlos Zeferino, destacou que o modelo proposto já é adotado em outras instituições públicas de ensino superior. Ele citou como exemplo a Unesp, que transformou o Hospital das Clínicas de Botucatu em autarquia em 2010, além da USP e de diversas universidades federais. Segundo ele, dos 51 hospitais universitários vinculados a universidades federais, 48 funcionam sob o modelo de autarquia.

O que é uma autarquia

Uma autarquia é uma entidade da administração pública criada por lei para executar atividades específicas do Estado, contando com autonomia administrativa e financeira. Apesar dessa autonomia, permanece vinculada ao poder público e sujeita à fiscalização governamental. Esse modelo é comum em setores técnicos, como saúde, trânsito e meio ambiente, e permite maior flexibilidade de gestão sem perder o caráter público do serviço.


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Autor

  • Camila Borges dos Santos

    Jornalista formada pela Universidade Paulista em 2023, com experiência em apuração, produção de pautas, apresentação e cobertura de matérias jornalísticas em diferentes formatos.

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