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“Terror em Cena” estreia em Campinas com espetáculos gratuitos de dança-teatro

Projeto reúne dois espetáculos que exploram o terror como linguagem artística e passa por diferentes espaços culturais da cidade
terror em cena espetáculo

O projeto “Terror em Cena” estreia em Campinas com apresentações gratuitas de dança-teatro, explorando o terror como linguagem artística em dois espetáculos. A estreia acontece neste sábado (11), às 19h30, e domingo (12), às 17h30, no Espaço Cultural Maria Monteiro. A entrada é gratuita.

Temporada passa por espaços culturais de Campinas

Além da estreia, o projeto terá apresentações em diferentes espaços culturais da cidade:

  • 17/4, às 20h — Teatro Municipal Castro Mendes
  • 25/4, às 19h30, e 26/4, às 17h30 — Centro Cultural Casarão
  • 29/4, às 19h30Instituto de Artes da Unicamp

Todas as apresentações têm entrada gratuita, e as sessões dos dias 11, 17 e 29 de abril contarão com acessibilidade em audiodescrição.

Criação une dança, teatro e terror psicológico

Com concepção do artista Guilherme Viégas e classificação indicativa de 16 anos, o projeto foi contemplado por editais de fomento cultural.

No palco, cinco intérpretes dão vida às obras: Eduarda Barone, Heloísa Duria, Maria Clara Torres, Maria Fernanda Sosa e Letícia Okuyama.

Quem for às sessões poderá assistir aos dois espetáculos na mesma noite, com um breve intervalo entre eles.

“Ambas as montagens foram construídas a partir de um processo de criação colaborativo em suas dimensões coreográfica, musical e dramatúrgica. Isso só foi possível a partir dos diálogos entre as diferentes formações e experiências trazidas pelos artistas, que busquei potencializar ao longo do processo criativo por meio de uma metodologia que une abordagens da dança-teatro desenvolvidas por Pina Bausch à aplicação prática de conceitos da coreomusicologia”, destaca Guilherme.

“Entre Tramas e Nós” aborda sofrimento psíquico

No espetáculo “Entre Tramas e Nós”, o público acompanha a jornada de um ser apático, tomado pela desesperança e atormentado por três bruxas — que transitam entre o real e o imaginário.

“É uma tragédia dançada, em que são pesquisadas as frestas entre o real e o sobrenatural para, então, se discutir o sofrimento psíquico”, pontua o diretor.

“Linha de Fuga” discute violência e sociedade

Já em “Linha de Fuga”, a narrativa investiga as marcas deixadas por uma sociedade misógina e preconceituosa, além das consequências dessas violências nos corpos das vítimas.

“Neste processo, quatro trágicas histórias se entrelaçam em uma cruel, mas familiar, polifonia, de modo a trazer elementos do terror psicológico para dança”, completa Guilherme.

Espetáculos propõem reflexão sobre saúde mental

Para a bailarina Heloísa Duria, o projeto proporciona uma experiência profunda tanto individual quanto coletiva.

“É uma constante redescoberta sobre si mesmo, sobre o que nos atormenta e como dançar esses medos, buscando entender também, enquanto grupo, como não deixar que eles tomem conta para além do processo criativo. É se questionar sempre sobre a verdade que você está, ou não, transmitindo ao público. E pensar isso, em uma dramaturgia envolta pelo terror, expande-se mais ainda”, avalia.

Segundo os artistas, os espetáculos se destacam por explorar o terror dentro da dança-teatro, com movimentos e estados corporais não convencionais, além de uma construção sonora imersiva.

Projeto destaca impactos das violências no corpo

A proposta do Terror em Cena é evidenciar como violências cotidianas podem impactar o corpo e a mente, levando a estados como ansiedade, angústia, medo e apatia.

“Os espetáculos buscam evidenciar as formas como as violências cotidianas reverberam no corpo, levando-nos a estados de apatia, ansiedade, angústia, tristeza e medo. Paralelamente, espera-se reforçar a necessidade de formar redes de apoio, de aprender a pedir ajuda (especialmente, de apoio profissional) em momentos de sofrimento psíquico e de nos mantermos atentos aos sinais discretos que essas doenças silenciosas podem deixar em pessoas ao nosso redor”, finaliza Guilherme.


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Autor

  • Rayssa de Souza

    Estudante de Jornalismo com previsão de conclusão do curso em 2026. Atualmente, desenvolve iniciação científica na área de comunicação e direitos humanos, com ênfase na violência contra jornalistas brasileiros durante o governo Bolsonaro. Como estagiária no portal, alia o aprendizado acadêmico à prática do jornalismo digital, sempre com olhar atento para temas sociais e de relevância pública.

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