O Carnaval vai muito além do brilho das fantasias e do som da bateria. Para quem assiste aos desfiles, seja da arquibancada, pela tela da VTV SBT ou pelas plataformas digitais do VTV News, é comum ouvir termos que parecem óbvios para quem vive o samba, mas que podem confundir quem está chegando agora.
Frisa, ala, componente, comissão de frente, harmonia… todas essas palavras fazem parte de um vocabulário próprio, construído ao longo de décadas de história do Carnaval brasileiro. São expressões que ajudam a entender como uma escola se organiza, como o desfile é avaliado e por que cada detalhe importa tanto.
Para você se preparar para o Santos Carnaval 2026, que acontece nesta sexta-feira (6) e sábado (7), reunimos as principais expressões usadas na festa e explicamos – de forma simples e direta – o que cada uma significa. É um guia prático para curtir os desfiles sabendo exatamente o que está vendo. Confira abaixo:
Alas
São as divisões feitas dentro do desfile de cada escola, compostas por componentes com fantasias semelhantes.
- Abre-alas – Primeiro carro alegórico do desfile, responsável por causar impacto e apresentar a escola.
- Ala comercial – Pessoas que compram a fantasia para desfilar, ajudando no financiamento da escola.
- Ala coreografada – Grupo que desfila com passos ensaiados, reforçando visualmente o enredo.
- Ala das baianas – Simboliza a origem do samba, com saias rodadas e integrantes tradicionais.
- Ala de comunidade – Formada por integrantes históricos e moradores ligados diretamente à escola.
- Ala musical – Grupo que acompanha o intérprete, com instrumentos de corda e apoio vocal.
Carros e alegorias
Elementos visuais que ajudam a contar a história do enredo durante o desfile.
- Alegoria – Nome dado aos carros alegóricos que ajudam a contar o enredo visualmente.
- Tripé – Estrutura menor que um carro alegórico, usada como complemento visual.
- Abre-alas – Primeiro carro alegórico do desfile, responsável por causar impacto e apresentar a escola.
Música
Mantém o samba e o ritmo da escola.
- Bateria – Grupo de ritmistas que dita o ritmo do desfile; é o coração da escola.
- Intérprete (puxador) – Cantor oficial que conduz o samba-enredo durante todo o desfile.
- Mestre de bateria – Comanda os ritmistas e garante que o ritmo esteja alinhado ao samba.
Componentes
Pessoas que desfilam, dançam e representam a escola na avenida.
- Componentes – Pessoas que desfilam pela escola usando fantasia e cantando o samba.
- Destaques – Componentes em posição de evidência, geralmente em cima dos carros.
- Passistas – Dançarinos conhecidos pelo samba no pé e pela leveza dos movimentos.
- Mestre-sala e porta-bandeira – Casal que apresenta e defende o pavilhão da escola com dança tradicional.
- Musa – Geralmente desfila em destaque, sambando e empolgando o público.
- Rainha de bateria – Figura de destaque que desfila à frente da bateria, representando a escola.
Organização
Como a escola mantém a apresentação fluida na avenida.
- Cabeça da escola – Parte inicial do desfile, onde ficam comissão de frente, abre-alas e alas principais.
- Concentração – Área onde a escola se organiza antes de entrar na avenida.
- Cronometragem – Controle do tempo do desfile para evitar punições por atraso ou excesso.
- Dispersão – Área final da avenida onde os componentes deixam o desfile.
- Recuo da bateria – Espaço onde a bateria para temporariamente para facilitar a evolução.
Coreografias
O enredo é representado com dança e movimentos ensaiados.
- Comissão de frente – Primeiro grupo a entrar na avenida, com coreografia que apresenta o enredo.
- Coreografia – Conjunto de movimentos ensaiados, usado principalmente em alas especiais.
Carnavalesco e enredo
Responsáveis pela criação artística do desfile e do tema da escola.
- Carnavalesco – Responsável por criar o enredo e a concepção artística do desfile.
- Enredo – Tema escolhido pela escola para contar sua história na avenida.
- Escola de samba – Agremiação responsável pelo desfile, formada pela comunidade e artistas.
- Samba-enredo – Música criada especialmente para contar o enredo da escola.
Infraestrutura
Locais e divisões físicas do desfile.
- Arquibancada – Espaço onde o público assiste aos desfiles na avenida.
- Barracão – Local onde são construídos carros alegóricos, fantasias e adereços.
- Camarote – Espaço reservado e coberto para convidados, autoridades ou imprensa, com visão privilegiada da avenida.
- Frisa – Área de arquibancada mais próxima da pista, geralmente mais exclusiva.
- Setor – Divisão do desfile na avenida para organizar alas e alegorias.
Avaliação
Critérios e profissionais que pontuam a escola no desfile.
- Julgadores – Profissionais responsáveis por avaliar os quesitos do desfile.
- Nota – Pontuação atribuída pelos jurados a um quesito.
- Quesitos – Critérios avaliados pelos jurados, sendo eles: bateria, harmonia, evolução, enredo, samba-enredo, fantasias, alegorias e adereços, mestre-sala e porta-bandeira, e comissão de frente.
Tradição e memória
Elementos que preservam a história e os símbolos da escola.
- Pavilhão – Bandeira da escola de samba, símbolo máximo da agremiação.
- Velha-guarda – Integrantes mais antigos da escola, guardiões da memória e da tradição.
Outros termos importantes
- Abre-alas – Primeiro carro alegórico do desfile, responsável por causar impacto e apresentar a escola.
- Buraco – Espaço vazio entre alas ou carros, que prejudica a evolução e rende desconto de pontos.
- Empurrador – Pessoa responsável por conduzir carros alegóricos e tripés durante o desfile.
- Esquenta – Momento antes do desfile em que a escola canta sambas antigos para animar.
- Grito de guerra – Canto usado para empolgar componentes e levantar o público.
- Queijo – Outro nome para buraco: espaço vazio no desfile que prejudica a escola.
Como funciona um desfile de Carnaval?
O desfile começa muito antes da escola entrar na avenida. As agremiações se organizam na concentração, conferem fantasias, ensaiam passos e ajustam os carros alegóricos, alinhando todos os detalhes para que a apresentação siga o enredo planejado e esteja pronta para impressionar público e jurados.
O tempo de desfile só começa quando a escola cruza a faixa oficial. Durante a apresentação, é preciso manter a ordem e a evolução das alas, evitando buracos e garantindo que cada integrante cumpra sua função. A bateria dita o ritmo, o intérprete conduz o canto, e a comissão de frente, junto aos destaques, chama a atenção do público, enquanto os carros alegóricos avançam com cuidado para não atrapalhar a evolução.
Ao final, a escola chega à área de dispersão, onde os componentes deixam a avenida e a pista é liberada para a próxima agremiação. A Comissão de Carnaval acompanha todo o processo, verifica o cumprimento das regras, contabiliza participantes e registra eventuais irregularidades, que podem gerar perda de pontos ou penalidades.
Ordem dos desfiles do Santos Carnaval 2026
Sexta-feira (6 de fevereiro)
- 21h – Brasil
- 22h05 – Império da Vila
- 23h10 – Bandeirantes
- 0h15 – União Imperial
- 1h30 – Real Mocidade Santista
- 2h45 – Vila Mathias
- 4h – Mocidade Independência
Sábado (7 de fevereiro)
- 20h – Imperatriz Alvinegra
- 21h05 – Dragões da Castelo
- 22h10 – Unidos da Zona Noroeste
- 23h15 – Sangue Jovem
- 0h20 – Padre Paulo
- 1h35 – Mocidade Amazonense
- 2h50 – X-9
- 4h05 – Unidos dos Morros