Imagine entrar em uma sala de cinema escura, ouvir o som das cadeiras se ajeitando e saber que o filme que está prestes a ver carrega a força de uma nação, sua memória e seu presente… tudo junto. Esse é o clima que “O Agente Secreto”, do cineasta Kleber Mendonça Filho, entrega. A produção estreia nesta quinta-feira (6), em 700 salas de cinema do Brasil.
Estrelado por Wagner Moura, o filme já fez história antes mesmo de estrear comercialmente: ele foi selecionado para a competição principal da 78ª edição do Festival de Cannes. Na estreia mundial em Cannes, foi saudado com longos minutos de aplausos. Ou seja, a produção brasileira não apenas participou, mas brilhou. Ao todo, já são 20 premiações internacionais.
Rumo ao Oscar
Além disso, “O Agente Secreto” foi escolhido como representante do Brasil para a edição de 2026 do Academy Awards (Oscar) na categoria de Melhor Filme Internacional. Assim, o filme é a grande esperança de uma segunda estatueta seguida para o país. A primeira, é claro, veio em março com a vitória de “Ainda estou aqui” – com quem a produção divide a ambientação durante a ditadura militar.
Por isso, aproveitar as primeiras semanas de exibição não é apenas garantir um bom programa de cinema, é participar de um momento cultural especial, quase histórico, para o cinema brasileiro.
“Mais do que nunca a gente está fazendo uma campanha para divulgar e fazer com que esse filme seja mais visto. Quase que como diplomatas apresentando um produto cultural que é do Brasil, que é brasileiro.”
– Kleber Mendonça Filho, diretor

O que o filme nos conta
A trama se passa em Recife dos anos 70 – durante o período da ditadura militar – e acompanha o personagem Marcelo (Wagner Moura), professor de tecnologia que retorna à sua cidade natal para recomeçar, mas acaba mergulhando num universo de espionagem, vigilância e inquietação.
O cinema de Kleber Mendonça Filho sempre teve força autoral. É dele “Bacurau” e “Aquarius”. Mas em “O Agente Secreto” ele usa essa potência para tratar história, memória e identidade brasileira com ousadia.
Ver no cinema, com som e tela de verdade, enaltece a experiência: luzes, projeção, ambiente compartilhado, e isso nada substitui.
A estreia nas primeiras semanas ajuda o filme a ganhar visibilidade, boca a boca, público engajado, o que pode fazer diferença para o sucesso comercial e o impacto cultural.
Veja o trailer
A urgência de valorizar o cinema nacional
Esse filme chega num momento em que o cinema brasileiro vive uma guinada internacional, com premiações, reconhecimento e participação festivais importantíssimos pelo mundo. E precisamos nos apropriar disso. Quando grande parte do público só “descobre” essas obras no streaming ou quando estão no hype, perdemos a força de dar suporte real, de apropriar como nossa arte.
“Pense: é como se estivéssemos no clima de Copa do Mundo, torcendo pelo Brasil. Agora, imagine torcer pelo nosso filme nacional com o mesmo orgulho com que torcemos pela seleção. Não apenas quando ganha ou quando está “na moda”, mas sempre.“
Além disso, para o nosso próprio bem o streaming hoje investe cada vez mais em produções nacionais, inclusive adaptações literárias. Isso é ótimo, mas ainda tímido. Há muito espaço para crescer, o que requer mais investimento e incentivo, resultando em mais visibilidade. Se nós, espectadores, tomarmos parte ativa (indo ao cinema, divulgando, comentando), a engrenagem se fortalece.

Fica o recado…
Vá ver “O Agente Secreto” nos primeiros dias de exibição. Porque não é apenas mais um filme. É o filme que pode empurrar o país adiante no palco global, e você pode assistir como participante desse momento. Valorizar nossos diretores, nossos atores, nossas histórias, é também forma de reafirmar: o cinema brasileiro importa. E é nosso!