O homem conhecido como “Galego”, morto pela Rota durante uma operação em Peruíbe, no litoral de São Paulo, teria usado outra identidade para esconder o próprio histórico criminal. Ele é suspeito de ter dado apoio ao atentado contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, irmão de Eloá Pimentel.
Conforme apurado pelo VTV News, Elenilson Misael da Silva nasceu como Elenilson Francisco da Silva. Após deixar o sistema prisional, ele obteve uma segunda via da certidão de nascimento em um cartório de Sertânia (PE), em fevereiro de 2018. Com o documento, conseguiu emitir RG, CPF, carteira de trabalho e título de eleitor.
A data e a cidade de nascimento foram mantidas, mas a filiação foi alterada e os números do RG e do CPF passaram a ser outros. Segundo a investigação, a mudança dificultava que consultas em órgãos oficiais identificassem os antecedentes criminais acumulados pelo suspeito ao longo dos anos.
Galego acumulava seis inquéritos, 17 processos e diversos registros de prisões, transferências e mandados judiciais. A ficha reúne ocorrências por homicídio, roubo, porte ilegal de arma, receptação, sequestro, cárcere privado, motim, lesão corporal e ameaça. Parte dos processos terminou em absolvição ou arquivamento, mas também foi condenado em ações que resultaram em penas superiores a dez anos de prisão.
Por que ‘Galego’ era investigado?
Segundo a Polícia Civil, Hércules da Costa Siqueira, conhecido pelos apelidos “Golias” e “Peruca”, é apontado como o autor do disparo que atingiu a cabeça do tenente, em 27 de junho, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Foragido, ele integra a lista de difusão vermelha da Interpol, e a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) oferece recompensa de R$ 50 mil por informações que levem à captura dele.
A investigação aponta que Galego não participou diretamente do atentado, mas teria dado abrigo a Hércules e à companheira dele, Cláudia Ferreira Ramos, durante a fuga. Imagens de câmeras de monitoramento, divulgadas pelo Metrópoles, mostram os dois caminhando juntos após o crime (veja abaixo).

Morte de ‘Galego’
Galego foi localizado e morto em 2 de julho, após uma denúncia anônima que o apontava como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e envolvido no caso. A morte ocorreu durante as buscas pelos responsáveis pelo atentado e fez dele o terceiro suspeito ligado à investigação a morrer em ações policiais.
Até o momento, sete pessoas morreram durante a operação. Entre elas está Marcelo de Jesus Dias, conhecido como “Nego Zum”, apontado pela Polícia Civil como o piloto da motocicleta usada no ataque contra o tenente.
O crime
Conforme já noticiado, o atentado aconteceu em 27 de junho, quando Ronickson Pimentel aguardava a abertura de um semáforo em São Caetano do Sul. Imagens de câmeras de segurança mostram dois homens em uma motocicleta se aproximando do veículo do policial e, em seguida, o garupa efetuando o disparo. A polícia trabalha com a hipótese de que a ação foi planejada, mas a motivação do crime ainda não foi esclarecida.
Como está o tenente baleado?
O tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, permanece internado em estado grave, porém estável, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. Segundo o boletim médico mais recente, ele responde aos cuidados da equipe, está sem febre e apresenta pressão intracraniana estável.
O policial segue sedado e sob ventilação mecânica, sem complicações após a traqueostomia realizada na última quinta-feira (9). A expectativa é que ele passe por um exame de ultrassom Doppler transcraniano na próxima sexta-feira (17), procedimento que servirá para orientar o planejamento da redução gradual da sedação.
Ronickson é irmão de Eloá Pimentel, assassinada aos 15 anos, em outubro de 2008, pelo então namorado, Lindemberg Fernandes Alves, após cerca de 100 horas em cárcere privado. O caso teve repercussão nacional.
