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Campinas 252 anos: prefeito Dário Saadi apresenta legado e desafios da cidade

No aniversário da cidade, Dário Saadi comenta as principais entregas da gestão, os desafios do município e as prioridades
Campinas

Com 252 anos de história, completados hoje (14), Campinas mantém sua posição de destaque entre as principais cidades do interior do Brasil. Com uma economia diversificada, forte presença tecnológica e papel importante no desenvolvimento regional, o município reúne grandes oportunidades, mas também desafios que precisam ser enfrentados.

Em entrevista exclusiva ao VTV News, o prefeito Dário Saadi apresenta um panorama dos 252 anos de Campinas, avalia o momento atual e revela os próximos projetos que devem marcar os novos caminhos do município.

No formato pingue-pongue, o líder do executivo faz um balanço da história da cidade, melhorias conquistadas pelo seu governo e metas ainda serem alcançadas com foco na saúde, transporte público e educação para os moradores.

Às vésperas dos 252 anos e olhando para o futuro, qual legado a atual gestão pretende deixar para Campinas?

Eu acredito que um dos principais legados da nossa gestão é a ampliação das vagas na educação infantil, especialmente em creches, um problema histórico de Campinas. Também destaco a conclusão do BRT, uma obra de mais de 40 quilômetros de corredores, e a aprovação do novo Distrito de Inovação, voltado ao desenvolvimento sustentável.

Na saúde, considero um marco a construção do Hospital Mário Gattinho, o primeiro hospital público pediátrico da cidade, além do futuro Hospital Metropolitano, que será construído ao lado da unidade. Também estamos deixando um legado na área ambiental, com a implantação de piscinões e obras de macrodrenagem para reduzir os impactos das enchentes.

A saúde pública atende não apenas Campinas, mas toda a região. Como ampliar a capacidade da rede sem comprometer a qualidade do atendimento?

Primeiro, nós conseguimos viabilizar o Hospital Metropolitano. Hoje, de 20% a 25% dos atendimentos da rede municipal de Campinas são destinados a pessoas que não moram na cidade, e a expectativa é que, no médio prazo, a unidade, com 430 leitos, ajude a resolver essa demanda.

A curto prazo, também conseguimos o credenciamento de leitos do SUS na Casa de Saúde Campinas, por meio de uma articulação da prefeitura. Com isso, o local passará a atender pacientes do SUS, em uma iniciativa que busca amenizar os desafios enfrentados pela saúde no município.

Eventos de chuvas intensas continuam provocando alagamentos em diversos pontos da cidade. Quais investimentos estão previstos em drenagem e infraestrutura urbana?

Primeiro, a construção de dois piscinões, cujas obras já estão avançadas. Um deles fica na cabeceira do Jardim Paranapanema, na região do Jardim Noêmia e da Avenida Princesa d’Oeste, e conta com tecnologia de túnel para direcionar o volume de água, o que deve amenizar os alagamentos e as inundações na região.

O outro piscinão, próximo ao Mercado Municipal, deve reduzir os alagamentos na Avenida Orosimbo Maia. Além disso, um terceiro piscinão deve começar a ser construído nos próximos meses, também na região da Princesa d’Oeste. Junto com essas obras, estão sendo implantados parques lineares para ajudar a reter a água nas cabeceiras das bacias. Esses investimentos eram esperados há muitos anos em Campinas, e agora conseguimos tirá-los do papel com financiamento do BNDES.

Campinas possui forte vocação para o turismo de negócios e eventos. Quais ações estão sendo desenvolvidas para fortalecer esse segmento e ampliar sua participação na economia?

Você sabe que, nos últimos anos, aumentou bastante o turismo em Campinas, principalmente o turismo de negócios e de eventos. Agora, estamos ampliando esse potencial com investimentos no turismo esportivo e cultural, por meio de uma programação intensa de maratonas, grandes shows e eventos que têm fortalecido a cena cultural da cidade.

Outro passo importante foi a criação do polo vitivinícola de Campinas. Já temos quatro vinícolas, sendo três em operação e uma em implantação, nas regiões de Sousas, Joaquim Egídio e Tanquinho. Com isso, reforçamos não apenas o turismo de negócios e de eventos, mas também o turismo rural, de aventura e o enoturismo, ampliando as opções para quem visita a cidade.

Mobilidade continua sendo uma das principais reclamações da população. Quais projetos estruturantes estão previstos para melhorar o trânsito e o transporte coletivo?

Nós estamos com o processo de licitação em andamento, mas ele está suspenso por decisão da Justiça e se encontra na fase final. O que já fizemos foi a licitação para a renovação da frota. Assim que a Justiça e o Tribunal de Contas liberarem o processo, vamos concluir a licitação para a renovação do transporte coletivo.

Essa é uma questão que não envolve apenas Campinas. É um tema discutido na Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos, porque, em grandes cidades do mundo, o custeio do transporte público é dividido entre os governos nacional, estadual e municipal. No Brasil, esse custo acaba ficando apenas sob responsabilidade dos municípios.

A segurança pública preocupa moradores, principalmente em relação a furtos, roubos e violência em algumas regiões. Como a Prefeitura pretende fortalecer a integração com as forças de segurança e ampliar a sensação de segurança?

Há uma transferência de responsabilidades porque o município está mais próximo da população, mas eu sempre digo que a segurança pública deveria ser cobrada de quem tem a responsabilidade constitucional, que são os governos estaduais e as polícias Militar e Civil. Campinas, porém, não foge dessa questão.

Por isso, temos uma Guarda Municipal muito bem estruturada, que atua em conjunto com as polícias Civil, Militar e Federal da região. Mesmo sendo uma atribuição constitucional dos estados, o município mantém essa atuação integrada para reforçar a segurança da população.

Mesmo com um dos maiores PIBs do país, Campinas ainda apresenta desigualdades importantes entre regiões. Como reduzir essa diferença e garantir desenvolvimento mais equilibrado?

A falta de vagas na educação infantil é um dos principais fatores da desigualdade. Todo pediatra e neurologista sabe da importância da primeira infância para o desenvolvimento da criança. Por isso, ampliar o acesso às creches significa oferecer as mesmas oportunidades de aprendizagem desde os primeiros anos de vida. Depois vêm a educação e a qualificação profissional, porque a igualdade só acontece quando a pessoa consegue um emprego de qualidade.

Por isso, já construímos quatro novas unidades do Ceprocamp, ampliamos o número de cursos e hoje oferecemos quase 2 mil vagas em 20 formações diferentes. Também iniciamos novas unidades e contamos com três carretas de cursos profissionalizantes. O objetivo é oferecer qualificação para que pessoas de baixa renda tenham acesso a empregos melhores e não permaneçam em funções de baixa remuneração.

Na habitação, quando assumi o governo, havia cerca de 42 mil famílias na fila por moradia. Com a atualização da legislação para empreendimentos de interesse social, conseguimos reduzir esse número para cerca de 14 mil famílias. Esse é um avanço importante, embora o desafio da habitação ainda permaneça.

Prefeito de Campinas
Durante a entrevista, Dário Saadi detalha obras em andamento e ações planejadas para o desenvolvimento de Campinas. Crédito: Cristiane Campari


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Autor

  • Cristiane Campari

    Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, com atuação destacada como trainee no Estadão, onde participou da 2ª edição do Focas Saúde. Também integrou a equipe da TV Câmara Campinas, contribuindo na cobertura institucional e na produção de conteúdo. Experiência na Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Campinas e no Consórcio PCJ.

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