O SUS ampliou para até 100 mil por mês os teleatendimentos destinados a pessoas que enfrentam problemas com bets e outros jogos de apostas. A nova capacidade começa a valer nesta terça-feira (4).
O serviço funciona de forma remota, gratuita e sigilosa pelo aplicativo Meu SUS Digital. Os profissionais oferecem orientação e acompanhamento, além de encaminhar o paciente para outros serviços de saúde mental quando necessário.
Atendimento para vício em bets cresce após alta procura
O serviço começou em março com capacidade para cerca de 600 teleatendimentos mensais. Segundo o Ministério da Saúde, a procura levou o governo a ampliar a oferta para até 100 mil atendimentos por mês.
A iniciativa reúne o Ministério da Saúde, o Ministério da Fazenda e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS, a AgSUS. O atendimento também funciona como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial, conhecida como Raps.
A rede inclui unidades básicas de saúde e Centros de Atenção Psicossocial, os Caps, que atendem pessoas com diferentes necessidades relacionadas à saúde mental.
Como buscar atendimento pelo Meu SUS Digital
Para procurar ajuda, o usuário deve acessar o aplicativo Meu SUS Digital e entrar com a conta gov.br. A plataforma também possui uma versão para acesso pela internet.
No lançamento do serviço, em março, o governo informou que o aplicativo disponibiliza um questionário para identificar possíveis riscos relacionados aos jogos. A partir das respostas, o sistema orienta o usuário sobre o atendimento mais adequado.
O objetivo é facilitar o primeiro contato com profissionais de saúde, principalmente para quem sente vergonha, medo ou dificuldade de procurar ajuda presencialmente.
Quais são os sinais de alerta relacionados às bets?
O Ministério da Saúde orienta familiares e apostadores a observar mudanças de comportamento. Entre os principais sinais de alerta estão:
- Dificuldade para diminuir ou parar de apostar;
- Mentiras sobre gastos e frequência das apostas;
- Ansiedade ou irritação quando não está jogando;
- Alterações no sono, alimentação ou humor;
- Prejuízos no trabalho e nas relações pessoais;
- Comprometimento do orçamento pessoal ou familiar.
Sentimentos frequentes de vergonha e culpa também podem indicar que a relação com as apostas deixou de ser apenas uma forma de entretenimento.
Outro alerta ocorre quando a pessoa usa o jogo para fugir de problemas, aliviar o estresse ou buscar uma recompensa imediata.
Mais de 1 milhão pediram bloqueio em sites de apostas
Dados do governo mostram que mais de 1 milhão de pessoas solicitaram a retirada do próprio CPF de sites e aplicativos de apostas por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão.
Entre os usuários que recorreram à ferramenta, 35% afirmaram que perderam o controle sobre as apostas. A plataforma impede novos cadastros e bloqueia o acesso a casas autorizadas durante o período escolhido.
A exposição precoce aos jogos, o fácil acesso pelo celular, a impulsividade, o isolamento social e o histórico de ansiedade ou depressão aparecem entre os fatores que aumentam o risco.
Com a ampliação do teleatendimento, o SUS pretende alcançar mais pessoas antes que as bets causem prejuízos financeiros, emocionais, profissionais ou familiares.