O presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Animais, deputado Célio Studart (PSD-CE), solicitou à Procuradoria-Geral da República que assuma a investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis (SC). O caso, que atualmente tramita na esfera estadual sob responsabilidade da Polícia Civil de Santa Catarina, foi mencionado pelo parlamentar como possível reflexo de uma rede coordenada de ataques contra animais em diferentes estados.
O pedido foi protocolado na segunda-feira (2) e obtido pelo SBT News. Nele, Studart argumenta que grupos formados em plataformas digitais como o Discord estariam promovendo “desafios online” com práticas de tortura contra animais de rua, com ampla difusão de conteúdo ilícito. Para o deputado, a morte de Orelha, associada a outros episódios recentes, indicaria uma possível estrutura criminosa atuando de forma padronizada e nacionalizada.
“A sistemática dos ataques, que envolvem tortura extrema e posterior exibição em plataformas virtuais, demonstra a possível existência de uma associação criminosa com modus operandi padronizado, visando a disseminação de conteúdo ilícito e a incitação ao crime de maus-tratos em escala nacional”, escreveu o parlamentar no documento.
Além da quebra de sigilo das comunicações eletrônicas para identificação dos envolvidos, o deputado solicita que a PGR coordene a cooperação entre os Ministérios Públicos Estaduais, a fim de compartilhar informações sobre casos semelhantes.
Contexto da morte de Orelha
Orelha era conhecido entre os moradores da Praia Brava, em Florianópolis, onde viveu por cerca de dez anos. Recebia cuidados comunitários, com alimentação regular, cobertores e acompanhamento de vizinhos. No início de janeiro, após dois dias de desaparecimento, foi encontrado gravemente ferido. Mesmo resgatado e levado ao atendimento veterinário, não resistiu aos ferimentos e precisou ser submetido à eutanásia.
A Polícia Civil investiga a participação de três adolescentes suspeitos de agredir o animal e deixá-lo no local. Até o momento, não há evidências de que o episódio esteja vinculado a qualquer grupo digital ou desafio virtual.
No domingo (1º), protestos foram registrados em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, com manifestantes pedindo justiça pela morte de Orelha e cobrando ações mais contundentes contra a violência animal.