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Dia Internacional da Mulher representa 8% do faturamento anual do setor de flor

Semana que antecede o 8 de março intensifica o comércio de flores e reforça o protagonismo feminino no segmento que mais emprega mulheres no agronegócio brasileiro

O Dia Internacional da Mulher vai muito além das homenagens simbólicas no calendário do varejo. Para o setor de flores e plantas ornamentais, o 8 de março representa cerca de 8% do faturamento anual – desempenho que coloca a data na terceira posição entre as mais importantes do ano, atrás apenas do Dia das Mães e do Natal/Réveillon. Em 2026, a expectativa é de crescimento de 6% nas vendas na semana que antecede a celebração.

No Ceaflor, considerado um dos maiores mercados atacadistas de flores do país, o movimento já começa dias antes. Como neste ano a data cai em um domingo, a concentração das negociações ocorre entre 2 e 7 de março, período em que aumenta significativamente o fluxo de caminhões nas docas e boxes do entreposto, localizado em Jaguariúna (SP).

A expectativa é de circulação acima da média, com mercadorias abastecendo floriculturas, supermercados e garden centers de todas as regiões do Brasil.

Segundo o presidente do Ceaflor, Antônio Carlos Rodrigues, mesmo coincidindo com o fim de semana, a data mantém sua força comercial. Tradicionalmente, empresas presenteiam colaboradoras e clientes com flores e plantas, gesto que ajuda a impulsionar o volume de vendas.

Entre os produtos mais procurados estão rosas vermelhas em haste, orquídeas de diferentes cores e formatos, além de astromélias, boca-de-leão, lírios, cravos, cravinas e suculentas.

O setor que mais emprega mulheres no agro

Se a data movimenta o caixa, também reforça um dado significativo, já que a floricultura é o segmento do agronegócio brasileiro que mais emprega mulheres. Nos sítios produtores que comercializam no Ceaflor, 41% dos postos de trabalho são ocupados por elas, desempenhando funções que vão do cultivo à comercialização.

Essa presença feminina não se limita às áreas operacionais. Muitas mulheres estão à frente da gestão das propriedades, lideram equipes e participam das decisões estratégicas. A cadeia produtiva das flores, intensiva em mão de obra e marcada por diferentes etapas, desde o plantio, colheita, embalagem, logística até venda, cria oportunidades que favorecem a permanência e o protagonismo feminino no campo.

Mulheres que transforma o segmento do agronegócio

Um retrato dessa realidade é a trajetória de Ilza Alves Ferreira Cardoso de Araújo, proprietária da floricultura Branco Paisagismo, em Belo Horizonte. Há três décadas no setor, ela divide a rotina entre a venda de flores envasadas e a execução de projetos paisagísticos na região metropolitana da capital mineira.

Para abastecer a loja de 3.600 metros quadrados, Ilza encara viagens regulares até Jaguariúna, num percurso de cerca de nove horas, revezando a direção do caminhão com o marido. De volta a Belo Horizonte, ainda auxilia os filhos na comercialização dos produtos e coordena os projetos de paisagismo. A jornada multifuncional é comum entre as mulheres do setor, que acumulam tarefas e responsabilidades em diferentes etapas da cadeia.

Nos corredores do Ceaflor, é frequente encontrar produtoras que plantam, cuidam, embalam, transportam e vendem seus próprios produtos. Essa atuação integrada ajuda a explicar por que a floricultura se consolidou como referência em empregabilidade feminina dentro do agro.

Mais do que um termômetro de vendas, o movimento intenso da semana do Dia da Mulher revela uma engrenagem maior: um segmento do agronegócio onde flores simbolizam não apenas afeto, mas também geração de renda, liderança e autonomia feminina.


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Autor

  • Pietra Mesquita

    Jornalista formada pela PUC-Campinas, com experiência em produção de conteúdo, redação, redes sociais e atuação jornalística multiplataforma. Interessada por cinema, entretenimento e cultura digital.

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