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Brasil tem 826 mil crianças na fila por vaga em creche, segundo levantamento

Demanda por creche cresce 30% em um ano e mais da metade das cidades admite não atender todas as famílias
Brasil tem 826 mil crianças na fila por vaga em creche, segundo levantamento

O Brasil tem hoje 826.371 crianças esperando por uma vaga em creche. O número acende um alerta sobre a educação infantil no país e mostra que a demanda cresceu muito mais rápido que a oferta. Em apenas um ano, a fila aumentou mais de 30%.

Os dados são do Levantamento Nacional Retrato da Educação Infantil no Brasil 2025, feito pelo Gaepe-Brasil em parceria com o Ministério da Educação. Mais da metade dos municípios reconhece que não consegue atender todas as famílias que procuram creche.

Fila por creche cresce 30% em apenas um ano

Em 2024, cerca de 632 mil crianças aguardavam vaga. Agora, são mais de 826 mil. O aumento foi de 30,6% em apenas 12 meses.

Mesmo com a alta na procura, o número de matrículas praticamente não cresceu. Segundo o Censo Escolar 2025, o total de alunos em creche recuou 0,13%.

Na rede pública, houve aumento de apenas 1,5%. Já as escolas particulares perderam 2,47% das matrículas.

Entre 2024 e 2025, as redes públicas criaram pouco mais de 29 mil novas vagas. Isso atende somente 3,5% das famílias que estão na fila.

Municípios admitem que não dão conta da demanda

O levantamento mostra que 52% dos municípios brasileiros reconhecem que não conseguem atender toda a procura por creche.

Outro dado chama atenção. Das mais de 826 mil crianças na fila, 238 mil têm menos de um ano de idade. Isso indica que cada vez mais famílias buscam vaga logo nos primeiros meses de vida.

A coordenadora do Gaepe-Brasil, Alessandra Gotti, afirma que o ritmo atual está muito abaixo do necessário para reduzir desigualdades sociais e educacionais no país.

Ela defende que, além de ampliar vagas, o poder público crie regras claras para priorizar famílias em situação de maior vulnerabilidade.

O que diz o MEC sobre a creche

O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o país ampliou a cobertura de atendimento. Segundo ele, 41,8% das crianças de até três anos estão matriculadas, alta de dois pontos percentuais em relação ao ano anterior.

O ministro também citou um fator cultural. Para ele, como a matrícula não é obrigatória antes dos quatro anos, muitos pais ainda optam por não colocar os filhos na creche.

Apesar disso, a legislação determina que o Estado deve oferecer vaga quando houver demanda. O Plano Nacional de Educação previa que metade das crianças de até três anos estivesse matriculada até 2024, meta que não foi atingida.

A educação na primeira infância é apontada por especialistas como essencial para o desenvolvimento cognitivo e social. Com a fila crescendo, o desafio para os próximos anos será acelerar a criação de vagas e garantir acesso para quem mais precisa.

*Com informações de O Tempo


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Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

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